Título e Capa 2
Escrita / Enredo 2
Originalidade 3
Personagens 4
Final 4

  Sabe quando conhecemos tanto um lugar que poderíamos descrever sobre o lugar com qualquer um? Foi essa sensação que tive ao ler Quincas Berros d’água, na parte em que Jorge Amado descreve sobre a escada do Pelourinho e sua lavagem anual, no momento em que li sobre o lugar que visitei muitas e muitas ..

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A Reportagem – Bettina Muradás

  Sabe quando conhecemos tanto um lugar que poderíamos descrever sobre o lugar com qualquer um? Foi essa sensação que tive ao ler Quincas Berros d’água, na parte em que Jorge Amado descreve sobre a escada do Pelourinho e sua lavagem anual, no momento em que li sobre o lugar que visitei muitas e muitas vezes durante minha estadia na Bahia, senti-me como parte da história.

  Com o livro A Reportagem, consegui sentir esse sentimento de nostalgia e de “sei muito bem o que você quis dizer nessa parte”. Como curitibano que sou, sei muito bem dos problemas que incide na cidade, mas um curitibano jamais vai deixar isso transparecer e sempre dará um jeito de dizer sempre o melhor da cidade. No livro pude sentir essa sensação de que a nossa cidade é muito parecida com as melhores do mundo e, às vezes, até melhor. Logo no início temos uma clara descrição da cidade de Curitiba, principalmente onde a senhorita Coelho trabalha. Conheço muito bem o Centro Histórico, a Boca Maldita, a Avenida Presidente Kennedy e a famosa Avenida das Torres. Logo a aceitação da história acabou sendo maior.

  Para que vocês possam saber sobre a obra A Reportagem, digo que é um livro novo no mercado, lançado pela Editora Chiado, de Portugal. O estranho que em algumas partes vemos deslizes de correção, como travessão de diálogo no lugar errado ou acentuação que não existe mais. Mas foi lançado em Portugal, logo o português é diferente… Sim e não. Sim pelo vocabulário, a fonética e a sintaxe ser totalmente diferente, mas não porque há um acordo ortográfico onde se regulariza a gramática em todos os países falantes da língua portuguesa, logo todos nós falamos o mesmo português. Mas não foi o que percebi no livro, ainda mais com “tremas” e “acentos agudos”. Acredito que a Chiado está com problemas para aceitar essas mudanças, só que querendo eles ou não, o livro veio com erros ortográficos. Culpem a “velha-guarda conservadora portuguesa” por isso.

  A trama no início pareceu que seria algo mais complexo, ainda mais quando envolve política brasileira no meio. De fato achei que teríamos uma narração mais precisa sobre os desdobramentos da operação que levou ao impeachment do presidente. Não vi muito mais do que caixa dois e lavagem de dinheiro, algo que sabemos que acontece muito na política. O que queria mesmo era um envolvimento maior com a política em A Reportagem, ou uma narração mais detalhada sobre a dor de cabeça que os políticos tiveram no livro quando foram descobertos abertamente sobre a corrupção. Mas o que vi foi a política como pano de fundo, atuando como uma base para a trama principal para não fugir muito da realidade e também algo para manter a ordem das coisas na obra.

  O livro começa de maneira bem simples, narrando a vida da Gisele Coelho e como ela chegou a ingressar na “Gazeta de Curitiba”, o jornal mais popular da obra. O que vi foi alguém bem de vida que acabou tendo a sorte, ou não, de viver uma aventura de espionagem com um agente da Kroll (agência de consultoria de riscos e espionagens, a mesma que Eduardo Cunha tinha pedido ajuda para se safar de acusações). Com esses dois requisitos já teria uma trama cheia de adrenalina e emoção, mas não foi tanto assim. Deve ser pelo meu gosto diferente do que o livro traz que me deixou meio triste em relação à expectativa. Na minha opinião, que não vale muito, li trechos que acho que não precisavam estar lá e que parece que só estão lá para atrair leitores para a história, já que sexo no Brasil sempre foi e é usado para tudo, inclusive para colocar quando não tem mais nada para escrever e encher as linhas. Tais cenas, acredito eu, não precisavam estar lá, mas estilos e gostos são pessoais, mas se você gosta destes estilo poderá gostar. Recomendo.

  Bom, ao menos o final foi satisfatório e com direito ao “ataque terrorista”; o que mais me surpreendeu foi a inserção da “vina”, palavra do cotidiano do curitibano que é encontrado em praticamente todas as esquinas da cidade.

  Turma, por hoje é só! Se tiverem a oportunidade leiam o livro A Reportagem, assim poderemos comentar mais sobre o livro e discutir! Não se esqueçam de assinar nosso site, é de graça e não custa nada!

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