Conto – Sonhos Impossíveis

Conto – Sonhos Impossíveis

Escrito por: Jeff Daanp


Capa - Sonhos Impossiveis - Jeff DaanpUm conto sobre um sonho, que era tão impossível, que pode ter virado verdade.  (Está registrado na biblioteca nacional, e tem direitos totais dedicados ao autor). Patrocinada pelo Mundo das Resenhas.


Uma vez eu tive um sonho. Ele poderia ser como os milhares de sonhos que eu já tive durante a minha vida. Mas esse sonho era diferente. Só pra começar, eu sentia a cama onde estava deitado. O frio da madrugada, pairando sobre meu corpo descoberto. A respiração profunda das outras pessoas que moram na minha casa. Mas, em uma parte profunda da minha mente, um sonho acontecia. Uma forte luz branca me impedia de ver onde eu estava. Mas ela foi diminuindo, pouco a pouco, até ficar com a intensidade de uma lâmpada. E foi então que vi. Eu estava em uma campina, tão grande que se estendia no horizonte, e se perdia de vista. Tudo o que eu via era a grama verde e céu azul. A luz que me cegava era o sol, que estava bem alto em um céu azul, sem nuvens. Como não havia outra coisa, comecei a correr pela campina. Meu corpo parecia mais leve do que o normal, e eu sentia que estava correndo mais rápido do que o normal. Foi então que eu parei, e lembrei que era apenas um sonho e que logo acordaria. Resolvi aproveitar e correr mais um pouco.

Depois de correr alguns quilômetros, reparei que havia uma coisa na grama. Como era um sonho, não fiquei com medo de ver o que era. Aproximei-me devagar da coisa, pronto pra pular para trás e sair correndo, quando percebi que não era uma coisa, e sim uma pessoa que estava deitada na grama. Uma garota, mais especificamente. Ela vestia um vestido preto, fazendo um contraste com sua pele, que era branca. Seu cabelo tinha um tom de ferrugem, o que, juntando o conjunto, fazia com que ela fosse a garota mais linda que eu já havia visto na minha vida. Ela parecia estar dormindo, pois sua respiração era profunda e lenta. Eu não queria acordar ela, então simplesmente me sentei ao seu lado e fiquei contemplando o sono dela. Sim, eu sei, pode parecer uma atitude de um psicopata, mas eu não sabia mais o que fazer. Então eu fiquei esperando ela acordar. Enquanto isso, eu sentia cada vez mais o frio do meu quarto, e sentia que me revirava na cama, mas nada do que eu fazia me acordava.

Depois de algum tempo incalculável, a garota acordou. Ela se levantou rapidamente, olhando para cima e tapando os olhos com a mão, por causa do sol. Quando ela baixou a mão e revelou ter lindos olhos verdes, sorriu pra mim e disse:

– Bem, pelo menos eu estou bem acompanhada nesse sonho.

Eu sorri, mas fiquei preocupado por ela estar achando que eu era apenas mais um item do sonho. Então decidi entrar no jogo. Não seria eu que jogaria a realidade na cara dela.

– Ora, eu é que estou bem acompanhado. Gostaria de me acompanhar em um passeio por esses campos infinitos? – disse. Estendendo minha mão para ela.

– Claro. – ela segurou minha mão e entrelaçou seus dedos nos meus – mas o que eu quero mesmo é correr.

Dei um aperto na mão dela e juntos saímos correndo pela campina. Ela gritava e ria muito da situação, mas eu não conseguia rir. Alguma coisa errada estava acontecendo. Com certeza a garota também estava sonhando, e compartilhando o sonho comigo.

Isso era no mínimo estranho. Mas comecei a deixar-me levar pela corrida. E logo estava rindo junto com ela.

Eu a forcei parar um pouco, e deitei na grama, de olhos fechados e braços abertos. Senti a garota deitar em cima do meu braço direito, me abraçando. Não retribuí o abraço, mas abri os olhos, e vi que seu rosto estava centímetros acima do meu, e que ela se aproximava cada vez mais, quase me beijando. Levantei-me e sentei, impedindo ela de fazer isso.

– Hei – ela tentou fazer uma cara de brava, mas ainda estava pensando que eu era fruto da sua imaginação – por acaso você não gosta de garotas?

Eu quase me afoguei quando ouvi isso. Depois de tossir algumas vezes e respirar fundo, consegui gaguejar uma resposta.

– Eu gosto. Mas isso é errado. Eu nem sei o seu nome.

– Ahh, é por isso. Bem, meu nome é Liane. Agora a gente pode continuar o que estávamos fazendo? – e ela tentou me beijar de novo. Mas novamente eu a impedi.

– Liane, eu não posso fazer isso. Tem uma coisa muito errada acontecen… – Liane colocou o dedo em cima dos meus lábios, impedindo-me de continuar a falar.

– Escuta aqui, seja lá qual for seu nome, você é só um sonho, assim como tudo isso. – ela ergueu os braços, como se estivesse abraçando toda a campina – Tudo o que você tem que fazer é me beijar.

– Aí é que está o problema. – respirei fundo e olhei no fundo dos olhos dela – eu não sou parte do sonho. Pelo contrário, eu sou um cara normal, um humano vivo, que também está sonhando. Liane se afastou rapidamente de mim, com uma expressão de puro medo.

– Isso só pode ser mentira. Meu subconsciente pregando uma peça em mim.

Eu tentei pegar a mão dela, mas Liane a afastou, como se eu fosse uma doença que perseguia ela.

– Infelizmente isso não é verdade. Eu sou real. De alguma maneira estamos compartilhando o mesmo sonho. Por acaso você não está sentindo o que está acontecendo no seu quarto?

Ela parou de tentar se afastar de mim.

– Pra falar bem a verdade, eu consigo sentir. Sinto minha cama, o cobertor, o frio da madrugada, e sinto que estou me debatendo na cama, tentando acordar talvez.

Finalmente consegui segurar a mão dela, não como na primeira vez, mas tentando passar um sentimento de cuidado.

– Eu não sei o que está acontecendo. Nem se vamos conseguir sair daqui. Mas eu acho melhor nós procurarmos mais pessoas. Até porque do mesmo jeito que eu te encontrei, outros podem estar por aí.

Liane concordou comigo, então nos levantamos e saímos a procura de mais pessoas. Andamos por horas e nada de achar qualquer ser vivente. Parecia que éramos as únicas pessoas naquele mundo estranho. Caímos deitados na grama, sem qualquer tipo de esperança de achar outros. Foi uma surpresa, mas quando Liane me abraçou de volta, não recuei e dessa vez retribuí o abraço. Seu cabelo cheirava a morango. Foi então que, de repente, eu comecei a sentir mais frio, embora estava quente na campina. Só tive tempo de registrar uma coisa. Eu estava acordando.

– Liane. – eu segurei o rosto dela até nossas testas estarem coladas – Eu estou acordando. Talvez você também esteja. Não sei se vamos nos ver algum dia, mas foi o melhor sonho que eu já tive.

Liane começou a chorar, mas ainda assim conseguiu falar umas últimas palavras.

– Lembre-se de mim. Se for desejo do destino, vamos nos encontrar de novo. Mas, você ainda não me disse seu nome.

Quando eu fui falar o meu nome, senti um puxão nos meus pés e finalmente acordei. Disse apenas uma palavra.

– Erick.

 

Algum tempo depois…

 

Era o primeiro dia de escola. O meu último ano. Desde que tive aquele sonho, não consegui parar de pensar em Liane. Toda vez que ouvia o nome dela, a procurava, onde quer que eu pudesse estar, mas sem resultados. Mas eu precisava seguir minha vida. Então lá estava eu, na escola, pronto para a primeira aula do dia. Não prestei atenção no professor entrando, nem nos outros alunos, pois estava terminando um desenho. Duas pessoas de mãos dadas em uma campina. Liane e eu. Quando eu terminei o desenho, ouvi uma garota perto de mim, falando algo.

– Tive um sonho parecido com esse, um dia.

Logo que ergui a cabeça, senti um cheiro de morangos, que me trouxe boas lembranças. Quando fui olhar para ver quem havia falado do sonho, o professor, que estava fazendo a chamada, diz um nome. O nome que iria mudar minha vida.

– Liane.

Olhei para trás e eu a vi. Do mesmo jeito que eu a vi no sonho. Ela abriu o sorriso mais lindo que eu já tinha visto na minha vida e respondeu a chamada.

-Presente.

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