Título e Capa 5
Escrita / Enredo 4
Originalidade 4
Personagens 3
Final 4

OS LUGARES DA DOR: EU E A MINHA DEPRESSÃO, POR AUDREY MORGAN. A história conta sobre a vida de Audrey e sua família, uma adolescente, que como muitos outros, enfrenta problemas emocionais. Atinge o que parece ser a meta da narrativa: tocar o leitor, o jovem, que se detém no precipício que é a depressão. ..

Summary 4.0 great
Título e Capa 0
Escrita / Enredo 0
Originalidade 0
Personagens 0
Final 0
Summary rating from user's marks. You can set own marks for this article - just click on stars above and press "Accept".
Accept
Summary 0.0 bad

Mentiras como o amor, Louisa Reid

Audrey sabe que sua mãe está certa quando tenta salvá-la de si mesma. Ela sabe que tem sido injusta, por isso precisa, por seu irmão mais novo e por sua mãe, seguir em frente. Audrey tenta manter todos felizes. Juntos, eles estão em busca de dias melhores. A mãe de Audrey, à sua maneira, tenta ajudar a filha a controlar a doença para que ela possa encontrar um recomeço seguro. Então Audrey conhece Leo, mas ele torna a vida dela realmente complicada, pois essa amizade faz com que ela deseje ousar ser ela mesma, enfrentar a vida. Agora, Audrey precisará decidir: cuidar de sua família especialmente de seu irmão ou continuar sonhando com a vida que tanto deseja?

OS LUGARES DA DOR: EU E A MINHA DEPRESSÃO, POR AUDREY MORGAN.

A história conta sobre a vida de Audrey e sua família, uma adolescente, que como muitos outros, enfrenta problemas emocionais. Atinge o que parece ser a meta da narrativa: tocar o leitor, o jovem, que se detém no precipício que é a depressão. Ela, assim como eu, acabou de fazer dezesseis anos. Seu pai os deixara cedo demais, sem explicações ou motivos aparentes. Aud, sua mãe, Lorraine e o seu pequeno irmão, Peter, de apenas cinco anos, precisam de um recomeço e, apesar das dúvidas de Audrey, a Granja parece ser o lugar mais adequado para isso.

O lugar, trata-se de uma grande casa, cercada de água e afastada da cidade. Os vizinhos mais próximos, são Sue e Leo. A história do garoto é um pouco diferente da de Aud, mas isso não impede que se tornem amigos rapidamente. Ele foi criado sob pressão. Criado para não ser menos que o melhor. Superdotado. Porém, a elegante e agitada vida dos seus pais, a cobrança por méritos que ele não queria e a solidão o levaram a depressão. Assim como Audrey, ele precisava recomeçar, então, fora morar com sua tia, Sue.

Aos poucos, Leo vai tentando quebrar o gelo que existe em torno de Aud, fracassando diversas vezes. E tal insistência desperta em Lizzy, colega de classe de Aud, um profundo sentimento de inveja e rancor, que a fazem referir acusações e críticas à garota. Até ai, o livro poderia ser um clichê. Mas calma, é só o começo.

Na minha opinião, antes de entender o quadro de Aud, precisamos conhecer sua mãe. Desde o começo da história fiz notas, na tentativa de compreender o que a levava à doença e o que a mantinha nela. As coisas podem ser diferentes em alguns casos. Em diversos trechos, ela mencionou “a coisa”, que vinha perturbar seus sonhos, chegando até mesmo a agredi-la. Mas Lorraine se mostra indiferente a isso, chegando a de certa forma “zombar”, alegando que a existência disso, está apenas na cabeça de sua filha, sem jamais dar-lhe o espaço de defender-se de suas críticas ou alegações. As consultas com médicos e psiquiatras não parecem ser para Audrey, e sim para mãe dela, que nunca lhe dá a palavra. No inicio ela se mostra apenas uma mãe super-protetora. Percebo também, que apesar de ser enfermeira, não sabe lidar com os problemas de Aud, mais uma vez, a fazendo acreditar que não é capaz, que é fraca, vulnerável, diferente e estranha, comparada a outras garotas de sua idade. Ela também não gosta de vizinhos, ou de raízes, embora isso incomode os filhos. 

 

Minha mãe era a lua. Minguante e crescente. Às vezes ela explodia, brilhando e cheia. Outras vezes era delgada e cruel, cortante como uma faca. E eu só podia me mover quando ela permitia, meu corpo como a maré, ainda preso às cordas que ela manipulava. Eu consegui me libertar por ora, mas logo voltaria lara perto dela; ela me chamaria, daquela maneira que apenas ela poderia chamar.

A coisa me dizia para não ter esperança. Que nunca haveria nada de bom para mim, nunca, que eu merecia o castigo que me deram. Lizzy tinha razão, dizia a voz. Eu não era nada. Mas não sabia o que havia feito de errado.

Desde cedo, a simpatia de Sue e o desejo de Leo de se aproximar de Aud pareceram incomodar Lorraine. Pete parece ser o único amigo da garota, que trata o seu irmão de forma particular e especial, o que nos leva a ter um certo apego a personagem. Embora mediante todas as dificuldades e barreiras impostas, Leo desperta em Aud um sentimento pouco conhecido por ela. A faz querer ousar, se libertar, ser quem ela é. Pode ser isso a principal razão de sua mãe não permitir a proximidade dos dois. Ele faz com que ela se sinta bem com quem é.

Desci as escadas e enfileirei meus comprimidos no balcão. Um para que eu não me sentisse deprimida. Um para que eu parasse de sentir enjoo. Um para que eu dormisse o dia inteiro. Um para me impedir de abrir cortes nos braços, pernas e coxas. Havia comprimidos para tudo. Para tudo, exceto um comprimido para que pudesse ser livre.

Leo e Lorraine vêem em Aud versões diferentes de uma mesma pessoa. Enquanto no garoto ela desperta sentimentos de esperança e segurança, para sua mãe, é incapaz e fraca, constantemente lembrada disso.

ALERTA DE SPOILER

Não dei muito pelo livro no começo, confesso. Mas as páginas logo me ganharam, em tempo e interesse. A história dos dois irmãos, toda sua luta e dor me ganhou. O final me surpreendeu, pois muito embora eu tentasse encaixar as coisas, não cheguei a pensar que aconteciam de tal maneira. O fim teve a dose certa de realidade, mas me acalmou, pois Aud não perdeu Pete, que de longe era a pessoa a quem mais amava. Ela é uma garota incrível, apesar de ter sido levada a crer do contrário. Sua incessável vontade de cuidar de seu irmão e manter sua mãe feliz só mostram o ar de maturidade que ela tem, apesar de pouca idade. Ela não é uma adolescente comum e esse termo nunca me fez tanto sentido. Ela desejava ser livre. Mas sua ideia de liberdade, era mais complexa e bem colocada que a da maioria, era como um sonho inatingível. Entre escolhas difíceis, despedias lágrimas e indignação, deixo minha admiração por a autora, Louisa Reid.

FIM DO SPOILER

A capa me encantou (sim, julguei o livro pela capa, confesso) e a linguagem empregada é de fácil entendimento, é um livro “bom de ler”. Recomendo e verei mais sobre a autora e o tema, não deixem de nos acompanhar nas redes sociais, para não perder nenhuma atualização do blog, um beijo, e até a próxima!

Related posts

Resenha: A Menina que não Acredita em Milagres

Resenha: A Menina que não Acredita em Milagres


Resenha: A Menina que não Acredita em Milagres

Milagres não existem para pessoas como Campbell. Ela não era alguém que podia arcar com os custos do privilegio da mágica. E com essa crença, ou “ descrença”, se entrega a doença terminal, que pouco a pouco, vai esvaindo a vida de seu corpo, bem como, sua vontade de lutar para permanecer aqui...

Resenha – How To Get Away With Murder (Lições de um Crime)

Resenha - How To Get Away With Murder (Lições de um Crime)


Resenha - How To Get Away With Murder (Lições de um Crime)

Sim, amiguinhos. Limpem o sangue de seus troféus, queimem bem os corpos e venham comigo em mais uma resenha de série aqui no mundo das Resenhas, Hoje vou falar um pouco sobre How To Get Away With Murder, produzida e distribuída pelo canal ABC e com ínicio de exibição na rede globo sob o nome...

Resenha – It, A Coisa – Stephen King

Resenha - It, A Coisa - Stephen King


Resenha - It, A Coisa - Stephen King

"Ele soca postes de montão e insiste que vê assombração" Tenho que respirar fundo antes de começar essa resenha, porque esse livro me tirou completamente o ar! "Este livro foi iniciado em Bangor, Maine, no dia 9 de setembro de 1981, e terminado em Bangor, Maine, em 28 de dezembro de 1985"...