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Já me acostumei a ver obras se apoiando em várias religiões e mitologias diferentes, mas nunca tinha visto uma obra que trabalhasse tão bem com as questões das religiões afro-brasileiras quanto O Livro do Silêncio, primeiro da trilogia Deuses de Dois Mundos, escritos por PJ Pereira. Vou deixar a sinopse aqui abaixo e depois começo ..

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Resenha: Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio

Já me acostumei a ver obras se apoiando em várias religiões e mitologias diferentes, mas nunca tinha visto uma obra que trabalhasse tão bem com as questões das religiões afro-brasileiras quanto O Livro do Silêncio, primeiro da trilogia Deuses de Dois Mundos, escritos por PJ Pereira. Vou deixar a sinopse aqui abaixo e depois começo a falar sobre o livro.

De repente, os instrumentos de Orunmilá se calam. Qual será o motivo do silêncio de Ifá? A força e a ajuda de Exu, Ogum e Oxóssi serão suficientes para que o maior adivinho da África ancestral reencontre seus poderes?

Já na caótica São Paulo dos dias atuais, o jovem jornalista New se vê envolvido em uma missão a que parecia destinado desde o berço, mas com a qual ele não consegue se identificar.

Na aclamada trilogia Deuses de Dois Mundos, PJ Pereira desafia o limite entre o conhecido e o desconhecido, o estranho e o maravilhoso, o real e o fantástico. O leitor é conduzido a uma viagem entre os níveis de existência do Aiê, a terra dos homens, e do Orum, o mundo em que, de acordo com a rica mitologia africana, vivem os orixás.

A narrativa do livro é algo interessante. Com capítulos intercalando entre os acontecimentos no Orum, com Orunmilá, Exu, Ogum, Oxóssi e outros, e no Aiê, com New. Logo de cara você não entende o porquê essas duas histórias, aparentemente sem conexão, estão sendo contadas juntas, porém o livro as conecta de um jeito único e sutil.

A parte de New é interessante, pois é contada por meio de e-mails, que são destinados a um personagem desconhecido. New é um bom narrador, sabe manter o leitor preso e ávido por saber mais da sua história. Porém o que realmente importa é o que está acontecendo no Orum. A missão de Orunmilá e seu grupo é de suma importância tanto para o Orum quanto para o Aiê.

Para alguém que não conhece as religiões afro-brasileiras, como eu, a história do livro ainda assim é empolgante. Ela faz com que você sinta um desejo de conhecer mais sobre todo aquele mundo novo, tanto na trama do livro quanto a realidade em si. Talvez algumas pessoas encarem essa história apenas como uma ficção como qualquer outra. Outras pessoas podem achar uma ofensa ao que acreditam. Mas creio que isso possa variar de pessoa a pessoa.

Por fim, o livro funciona muito bem como uma apresentação do universo. Você conhece os personagens, começa a se afeiçoar a eles e fica com o coração na mão em várias passagens do livro. Em resumo, uma história empolgante que mostra que não são apenas as mitologias europeias que podem produzir histórias épicas com suas divindades.

Independente do que você acredita ou deixa de acreditar, a leitura d’O Livro do Silêncio pode se provar uma experiência única para cada um. Vale muito a pena ler. E é uma leitura rápida. Você começa a ler e não vê o tempo passar. 

Vale deixar registrado a beleza da edição feita pela Editora Planeta. Tanto pela ilustração da capa, que trás referências a vários orixás (Mamãe que me contou isso. Te amo mãe), quanto pelo conjunto do livro como um todo.

Essa foi a resenha de hoje. Se você já leu esse livro, ou tem alguma experiência com o mundo apresentado na obra, não esqueça de deixar seu comentário. Também siga nossas redes sociais e compartilhe nossas resenhas, para espalhar a palavra. Um abraço e até a próxima. Ou, como diriam os iorubás, Axé.

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