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Senhoras e senhores, hoje venho aqui, escutando um bom power metal para falar de um livro que daqui a alguns anos poderá ser chamado de clássico da literatura fantástica brasileira. De que livro estou falando? O Espadachim de Carvão, de Affonso com dois Fs de faca Solano. Vou transcrever a sinopse do livro. Kurgala é ..

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Resenha – O Espadachim de Carvão – Affonso Solano

Primeira versão da capa do livro, pela Fantasy

Senhoras e senhores, hoje venho aqui, escutando um bom power metal para falar de um livro que daqui a alguns anos poderá ser chamado de clássico da literatura fantástica brasileira. De que livro estou falando? O Espadachim de Carvão, de Affonso com dois Fs de faca Solano. Vou transcrever a sinopse do livro.

Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles. E agora ele está sendo caçado. Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criaturas exóticas. Munido de uma sabedoria impar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimento que adquiriu em sei isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala.

Bem, já li esse livro duas vezes. Na primeira vez eu havia feito uma resenha, mas infelizmente a perdi por problemas técnicos que incluem formatação e esquecimento de fazer backup. Mas dessa vez a resenha sai. Vamos a ela.

Se você já leu minhas resenhas aqui no site deve ter percebido que meu gênero favorito é a fantasia. Desde Harry Potter, que foi o começo de tudo, eu sempre gostei de coisas que fugiam da realidade. E Espadachim de Carvão me proporcionou isso de uma maneira fantástica. Todo um panteão de espécies que vivem em um mundo, como os nekelmulianos, seres que tem um poder psíquico incrível, ou os Sadummunianos, seres que valorizam a força acima de tudo. Temos um mundo fantástico e ao mesmo tempo muito parecido com o nosso próprio mundo. Em Kurgala há bares, prostíbulos, pessoas que se aproveitam de outras, mas também temos as coisas boas. Temos pessoas leais a seus propósitos, pessoas que apenas querem o bem das outras. Como Telalec disse, o bem e o mal vivem juntos. Essa “ordem no caos” faz o livro ser uma verdadeira obra-prima, que nos faz viajar mais rapidamente que Puzur e suas “pontes”.

Dando uma analisada nos personagens, gostaria de destacar o nosso herói principal. Adapak. O espadachim de carvão é, descrevendo em uma palavra, foda. Sabe todas as línguas de Kurgala, sabe os Círculos Tibaul, tem várias habilidades. Mas ao mesmo tempo que ele é foda em tudo isso, Adapak tem uma inocência em seu coração que chega a dar dó e um pouco de raiva. Em apenas alguns minutos na sua primeira visita a uma cidade fora do Lago Sem Ilha, ele consegue ser enganado em um truque mais velho que a minha avó.

Outro personagem que merece um destaque é Barutir, o antigo tutor de Adapak e um servo do templo dos DingirÏ. Não vou soltar spoilers, mas podemos dizer que o drama pelo qual Barutir passa pode ser comparado a pessoas que perdem a fé em Deus por algum motivo. Toda essa discussão filosófica foi bem orquestrada pelo autor.

Telalec, o mestre de Adapak é uma figura interessante de se analisar. Um Ushariani, raça com três braços e três pernas, que perdeu uma mão para um louco. Outrora um espadachim impecável, mestre nos círculos Tibaul, Telalec passou seu conhecimento para Adapak, ensinando tudo o que o jovem filho de Dingirï sabe sobre a arte de ser um espadachim. Eu poderia ficar falando sobre ele por linhas e mais linhas, mas prefiro que cada um tire suas conclusões ao ler o livro.

E é claro que existem muitos outros personagens ao longo da história. Sirara, T’arish, Ollak, Jarkenun, Dannum, entre vários outros, mas eu preferi focar em Adapak, Barutir e Telalec pois foram os personagens que mais me marcaram ao decorrer da história.

Considerações finais.

Nem preciso falar que recomendo esse livro para um bom amante de literatura fantástica. Affonso Solano conseguiu uma façanha que poucos conseguem: criar um mundo do nada. É com a sua habilidade de brincar de Deus, ou nesse caso, d’os Quatro que são Um, que Solano nos cativa com a sua excelente escrita.

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