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Desde o prólogo somos apresentados a Jacob, um garoto muito apegado a seu avô, Abraham Portman (Abe) e a todas as suas histórias, no mínimo “fantasiosas” frente a ótica comum. As memórias de Abe descreviam um mundo muito diferente do que a lógica nos permite acreditar: monstros, crianças invisíveis, capazes de voar, dotadas de uma força ..

Summary 4.8 Incrível
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Resenha: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares – Ransom Riggs

Desde o prólogo somos apresentados a Jacob, um garoto muito apegado a seu avô, Abraham Portman (Abe) e a todas as suas histórias, no mínimo “fantasiosas” frente a ótica comum. As memórias de Abe descreviam um mundo muito diferente do que a lógica nos permite acreditar: monstros, crianças invisíveis, capazes de voar, dotadas de uma força descomunal, dentre muitas outras características peculiares que não permitiam muito mais do que associar toda essa construção fantasiosa à experiencias traumáticas vividas por Abraham em sua infância, que atravessou a segunda guerra mundial. Ele vivia na Polônia com seus pais, até ser enviado, aos doze anos, para um orfanato no pais de Gales, em uma aparentemente, tentativa frustrada de fugir do caos que os exércitos alemães arrastavam pelos continentes.

Esse orfanato, segundo seus relatos, guardava um segredo e uma certa peculiaridade: ali, as crianças não cresciam ou envelheciam, todos os dias eram ensolarados e alegres, a diversão não tinha fim e, acima de tudo, tinham dons que as diferenciavam das demais. A guardiã era uma Ave (falcão peregrino), chamada Alma Peregrine, que mais a frente, se apresentará a Jacob como alguém capaz de manipular o tempo e se transformar, de fato, em pássaro. (Ymbryne)

“Agarramo-nos a nossos contos de fadas até que o preço por acreditar neles se torna alto demais…”

O ORFANATO DA SENHORITA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

Mas com passar dos anos, as histórias que alimentavam a paixão de Jake, aos poucos foram tornando-o condizente com o mais aceitável: o vovô Portman já não tinha lucidez o suficiente para defender suas verdades. Em uma última tentativa de fazê-lo, apresentou ao seu neto fotografias que deveriam provar suas crenças, mas que o levaram, tão somente, a desmentir o senhor, alegando que as montagens não poderiam ser mais grosseiras. Ainda admirando muito o velho Abe, Jacob insistia em vê-lo como um herói, que derrotou monstros, só que alemães e perfeitamente humanos.

CAPA  DO LIVRO O ORFANATO DA SENHORITA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

Aos 16 anos, Jacob trabalhava em uma farmácia, administrada por seus tios e ajudava o quanto podia nos cuidados com seu avô, que segundo seus filhos (o pai de Jacob e sua tia) estava deixando cada vez menos alternativas se não ser enviado à um abrigo para idosos. Em uma tarde, no que parecia apenas mais um surto do velho Abe, nosso protagonista acaba vivendo uma terrível experiência ao se deparar com aquilo que nem todas as pessoas eram capazes de ver. No meio de uma floresta uma criatura imaginária, conforme explicado por seu psiquiatra, parecia ter matado seu avô. O derradeiro fim de Abe marcou para sempre a memória de um neto apaixonado e decorrente do trauma, dos pesadelos e “alucinações” surgiu a necessidade de uma explicação lógica para todo aquele cenário.

ARTE O ORFANATO DA SENHORITA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

Acobertado por seu médico, que desde o ocorrido o ajudava a lidar com os pesadelos que se faziam cada vez mais frequentes, Jacob se despede de sua mãe para embarcar em uma viagem, ao lado de Franklin, seu pai, para a ilha no pais de Gales, onde aparentemente, tudo começou. Sua intenção oculta era investigar aquelas fantasias e descobrir até que ponto poderiam se mostrar verdadeiras. A única pista que ele guardava era uma carta datada em  3 de setembro de 1940, o dia exato em que o orfanato foi atingido pela guerra, de onde apenas um jovem saiu como sobrevivente: Abraham Portman. Ou haveria mais alguma coisa oculta nessa história?

Acredito que nada mais cabe revelar, para manter o bom mistério do livro.

alerta de spolier

Mais a frente, descobriremos junto com nosso protagonista que na verdade as crianças estão vivas e bem, mas congeladas no passado, naquele dia em que deveria ter encerrado sua historia. Sua guardiã, a senhorita Peregrine garante sua segurança e reinicia, dia após dia, uma fenda temporal que lhes presenteia com a juventude eterna. Muitas já possuem mais de 80 anos, guardados na inocência e impedidos de conhecer o futuro.

fim de spolier

Mas você deve se perguntar, porque criaturas que possuem dons tão admiráveis limitam-se a esconder-se nas sombras da ignorância humana. A explicação não é tão simples quanto a pergunta. Criaturas vivem saltando entre as fendas temporais e ocultas ao olhar humano, em busca do sangue de peculiares para satisfazer seu apetite insaciável e sua sede de poder que cresce através dos anos. Esses são conhecidos como etéreos. Eles não tem memórias, coração, vontades ou virtudes. Vivem simplesmente como escravos da ideia que os une: criar “deuses” que sejam capazes de transitar entre o presente e o passado sem pagar um justo preço.

O livro mistura muito bem a ficção com as fotografias que nos permitem, enquanto leitores visualizar todos os personagens, de forma a imaginá-los perfeitamente como vistos sob a ótica do autor. As imagens, como posteriormente explicado, foram escolhidas dentro do acervo de colecionadores e só sofreram alterações digitais quando se mostrou necessário para caber no enredo.

Os personagens são bem construídos e complexos e uma das que mais me prendeu a atenção foi Emma, a garota que no passado namorou Abe e no presente se apresenta como uma grande paixão para Jacob. A Srta.Peregrine em um primeiro momento se mostra altamente controladora, até aos olhos de Jake, que julga a forma como ela “prende” as crianças sob rédeas curtas naquele pequeno paraíso, mas com o desenrolar do enredo fica claro todo o amor e afeição que ela guarda pelas crianças, bem como duas razões de agir sempre de forma discreta e super protetora.

A capa original, conforme pesquisei, retrata uma das fotografias apresentadas no livro. A história, confesso, não é o que eu esperava. Em uma rápida análise que fiz anteriormente a capa acreditei fielmente que se tratava de uma narrativa assustadora de terror, é claro que eu não poderia estar mais enganada. Mas é incrível e superou minhas expectativas, por não se tratar de um gênero que costumo ler.

O autor, além de escritor é fotógrafo e algumas das fotos vieram também de sua própria coleção. O livro promete uma leitura muito leve e acredito eu, que possa acrescentar muito a esse fim de férias. Me surpreendi em como li rápido e adorei a forma como filme, apesar de alterar alguns detalhes, consegue ser igualmente incrível. Super indico, ambos. Deixo aqui o link para o trailer.

O orfanato da Srta.Peregrine para crianças peculiares é o primeiro volume de uma trilogia, seguido por Cidade dos Etéreos e por fim, Biblioteca de Almas, terceiro e último volume da saga. Em breve darei sequência as resenhas dos livros subsequentes conforme eu venha finalizando a leitura.

ARTE DO LIVRO  O ORFANATO DA SENHORITA PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

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