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Final 5

Sabe, crescer nos faz perceber, que o amor nem sempre se trata de insistir. As vezes queremos tanto algo ou alguém, que sequer nos damos o trabalho de refletir se aquilo, de fato, é bom pra a gente. Mantemos relacionamentos ruins, corremos atrás de pessoas que já deixaram claro que nos querem longe, ou apenas ..

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Resenha: Onde não houver reciprocidade não se demore – Iandê Albuquerque

Regards Coupables

“Finais machucam, recomeços curam.”

Sabe, crescer nos faz perceber, que o amor nem sempre se trata de insistir. As vezes queremos tanto algo ou alguém, que sequer nos damos o trabalho de refletir se aquilo, de fato, é bom pra a gente. Mantemos relacionamentos ruins, corremos atrás de pessoas que já deixaram claro que nos querem longe, ou apenas nos apegamos a memórias e fantasias do que poderia ter sido. As vezes, amar também é “jogar a toalha”, abrir mão, deixar ir e se abrir para o novo. Seja ele um novo amor, ou simplesmente uma nova forma de “se bastar”. É fato que finais nunca são confortáveis. Como diz John Green, “o problema dos finais felizes é que ou eles não são realmente felizes, ou não são realmente finais.” Quando somos a pessoa que teve de aceitar que o outro já não quer permanecer, que o abraço que nos abrigava já não quer ser casa para os nossos mais lindos sentimentos, de certa forma a sensação se parece com impotência, buscamos de qualquer forma entender “onde erramos”, juramos de todas as formas corrigir um erro que as vezes, sequer existiu, lutando para encontrar uma razão para justificar algo tão simples: não era pra ser.

“O amor não deve ser um problema e sim, a solução.”

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Mas calma, o cenário não é imutável. Depois de um tempo, as feridas não apenas se curam, como nós também percebemos, que tudo que aconteceu foi necessário e bom. Eventualmente, nós colocamos tanto de nossas expectativas em pessoas rasas que se torna difícil em meio a visão turva enxergar que aquela pessoa também tem defeitos incorrigíveis, também tem sua culpa e acima de tudo, que não é o “amor da nossa vida”. Aos poucos a gente vai se reerguendo, aprendendo com tudo que aconteceu e guardando uma certeza…

“O amor também é sobre despedidas, é sobre deixar ir ou decidir ir embora, principalmente quando algumas pessoas desistem de nós antes mesmo de a gente saber.”

Nossos amigos, nossa família, as pessoas que nos conhecem a mais tempo sempre nos alertam sobre “aquela pessoa”, não é? Mas qual é o coração apaixonado que consegue ouvir conselhos negativos e permitir que eles acrescentem? E inconscientemente nós vamos permitindo que alguém que “chegou do nada” se torne “tudo”. E damos a um estranho todos os nossos sonhos, apostamos todas as nossas fichas, entregamos todos nossos sentimentos e um controle que deveria ser apenas nosso: o da nossa vida. Permitimos que alguém faça conosco o que quiser, mesmo que em muitos dos casos, isso acabe se tornando um risco que não vale a pena correr. O importante é saber quando parar. Saber quando abrir mão do que já não nos garante a paz de um sorriso bobo. O amor próprio deve vir em primeiro lugar e isso nunca se tratou de egoísmo. Significa que ninguém vale nosso desespero emocional. As vezes deixar ir dói muito menos do que segurar.

“A gente começa a achar que ficar com alguém raso é algo profundo demais (…)”

Talvez você nem queria acabar, mas o outro acaba fazendo isso, quando menos se espera. Perder alguém dessa forma dói, mas se perder por alguém é uma dor sem comparação. É duro dizer, mas relacionamentos acabam o tempo todo e o mundo nunca teve de parar por isso. Todos já conhecemos a dor de um coração partido e aqueles que não, ainda conhecerão. E a vida segue em frente. Nós recebemos outras chances para alcançar a felicidade, mesmo que não da forma que planejamos. Mesmo que em um primeiro momento isso pareça impossível.

“Você foi um amor que me serviu de exemplo. Mesmo que tenha sido um exemplo de alguém que eu não devo amar.” 

Sabe, é difícil quando escutamos de alguém que o sentimento acabou, que já não é o mesmo, ou que simplesmente, nunca existiu. Imagine que pesadelo seria descobrir que sua maior certeza nunca passou de uma mentira, contada e repetida através do tempo. O nosso mundo desaba! A gente tenta se convencer de que é só um grave engano, que o tempo vai mostrar quão errado ele estava sobre aquilo, mas… as vezes é só isso sabe? Uma maldade enorme que se fantasiou de sonho. A gente perde muitas noites em claro até finalmente dar conta do recado, que 1 ele não vai voltar, 2 ele nunca deveria ter vindo. É preciso ter muita força para seguir em frente depois de uma grande decepção, para não desacreditar em um sentimento tão lindo como o amor, para se dar ao luxo de confiar de novo. Mas nós não devemos, de maneira alguma permitir que nossa intensidade seja comprometida por escolhas erradas de outra pessoa. Não vale a pena.

Regards Coupables

O que devemos levar de todas as decepções, é que não devemos permitir a entrada em nosso coração para aqueles que não pretendem fazer o bem. Não porque são monstros, mas porque não são o ideal para nosso coração. São pessoas que podem ser incríveis para nós, desde que se mantenham longe. Temos uma mania absurda de idealizar e construir fantasias, construir em alguém tudo que buscamos e o que frustra, é que nem sempre a pessoa pensa da mesma forma que a gente, as vezes ela não segue o “roteiro” que criamos involuntariamente. São planos que nunca foram feitos, escolhas deixadas sempre para depois, confirmações que apenas ficaram subtendidas. Talvez a gente queira dar a toda essa criação o título de amor, mas nem é. É um enorme “quase”, pois aquela pessoa só existe na nossa mente.

“Tive de colocar um ponto final nessas reticências que eu insistia em acreditar, por pensar que em algum momento você desistiria de desistir da gente.”

É difícil DEMAIS reconhecer que acabou, mas nem só de amor as relações se sustentam não é mesmo? É possível continuar amando alguém que está longe, alguém que não queremos por perto. As razões, só nosso coração pode conhecer, mas isso é bem comum.

“Acho que era pra ser só isso e, talvez, isso tenha sido tudo.”

Bem, tentei sintetizar algumas das idéias que o livro reflete. Durante toda a leitura vi, da parte do autor, um posicionamento de alguém que já aprendeu muito com as constantes voltas da vida. Vi o perfil de alguém que já conheceu do mais puro ao mais vil amor. Quem não tem aquela decepção para contar, não é mesmo? Ouvi dizer por ai, que “quando não vira amor, vira poesia” e achei incrível todas as crônicas, textos e frases destinadas a alguém que consciente ou não, destruiu uma parte da inocência de um coração. O último tópico do livro diz “nunca sofra por um amor meio bosta”, usando as palavras de Iandê, a dor faz parte do processo de amadurecimento, a gente acaba, por fim de força, aprendendo que ao menos que nos ofereçam uma imensidão de sentimentos bons, não deveremos considerar aquela pessoa digna do nosso amor.

Confesso que engoli mais da metade do livro sentada no chão abrindo o envelope do correio. Achei o designe incrível, a forma como os capítulos são divididos e por Deus, que ilustrações mais lindas. Pro final, eu sempre ia deixando um texto ou outro para depois, porque certos trechos acabam trazendo verdades que nem sempre estamos prontos para ouvir. Esquece esse tabu de “auto-ajuda”, o livro parece mais uma conversa, você lê as palavras do autor e puxa aquela setinha, cola aquele post-it, desabafando, crescendo junto, vivendo experiências literárias que podem vir a contribuir muito para nossas ideologias. Demorei para absorver toda a mensagem que o autor queria transmitir, sempre que tentava começar a resenha nunca parecia bom o bastante.

Fica claro aqui que um leitor vive muitas vidas além da sua. Pelos olhos das experiências de Iânde, descobri que não vale a pena insistir naquele alguém que sempre remarca tudo, sabe? Mesmo que nem tenha chegado a conhecer alguém com tais atitudes. Quando eu topar com o @ que culpe sempre a falta de tempo, saberei escolher um caminho oposto.

Recomendo bastante a leitura, meu Deus, é um livro para ser deixado no criado mudo, pra lembrar sempre a gente de não submeter nosso coração à migalhas.

Quanto a organização da leitura, fiquei confusa em alguns momentos pelo uso de pronomes como “ela” ou “ele”, pois em alguns textos parecia haver uma confusão quanto ao uso, encontrei um que começa referindo-se a uma garota e por fim direcionava as palavras para alguém do sexo masculino. Porém isso é um enorme detalhe.

Gostaria muito de ter a oportunidade de me referir diretamente ao autor, ter uma conversa com ele, pois velho, virei fã!

Então é isso pessoal, espero que deem uma olhada no livro e para quem leu, adoraria saber o que achou. Um beijo e até a próxima. Não deixem também de nos acompanhar no instagram, para não perder nenhuma atualização.

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