RESENHA – SUSSURRO – BECCA FITZPATRICK

Os olhos de Patch eram como órbitas negras. Absorviam tudo e não devolviam nada. Não que eu quisesse saber mais sobre ele. Se não gostei do que vi por fora, duvidava de que fosse gostar do que espreitava lá no fundo. O único porém é que isso não era bem a verdade. Eu adorei o que vi. Músculos longos e esguios nos braços, ombros largos, mas relaxados, e um sorriso que era meio debochado, meio sedutor. Estava difícil convencer a mim mesma de que deveria ignorar algo que já começava a parecer irresistível”.

Na remota e sombria cidade de Coldwater, vive Nora Grey, uma garota que acabará de perder o pai assassinado. Mora com a mãe em uma antiga casa de fazenda do século XVIII afastada do centro da cidade. Devido à morte inesperada do pai, a mãe tem que dobrar o serviço para sustentar as duas, deixando com que Nora fique a maior parte do tempo sozinha.

A garota tem uma rotina comum, e se mostra esforçada como qualquer outra estudiosa. Frequenta as aulas, escreve para o jornal da escola, faz acompanhamento psicológico com o orientador, mas uma repentina aula de Biologia chega para mudar sua vida de cabeça para baixo.

Nora não pretendia se apaixonar, mas o sedutor e irresistível Patch faz com que ela mude de ideia. O personagem não é o típico garoto confiável, na verdade, faz o estilo misterioso e perigoso. Nora é atraída por ele contra o seu bom senso.

“Eu sabia no que estava pensando. Anteriormente, eu me sentira atraída por Patch como se houvesse um misterioso campo de força entre nós. Agora eu me sentia atraída por algo completamente diferente. Alguma sensação que causava muito calor”.

O livro começa com uma narrativa calma e tranquila, despertando o interesse do leitor em revelar os mistérios de Patch e, também, instigando o leitor a entender o que acontece com Nora, se de fato as situações vividas são fruto da imaginação, ou se a menina está sendo mesmo perseguida.

“O punho atravessou a janela com uma explosão de cacos de vidro. A mão tateou meu ombro e segurou meu braço. Dei um grito rouco, pisei fundo no acelerador e soltei a embreagem. O Neon cantou pneus ao entrar em movimento. Ele continuou pendurado, segurando meu braço, correndo ao lado do carro por muitos metros antes de me largar”.

Nora é uma filha obediente, boa aluna e uma amiga leal a Vee, sua melhor amiga. No começo acompanhamos uma protagonista introvertida. Sua maior aventura até então era fazer o dever de casa e escrever resenhas para o eZine.

A personagem se destaca das demais, pois não torna sua atração uma obsessão, para ela, é muito mais importante decifrar os mistérios entorno de Patch do que namora-lo.

Becca consegue criar um ambiente totalmente agradável de leitura e seus personagens tornam-se parte inteiramente importante do enredo, fazendo com que os leitores riam e se divirtam com as mais loucas trabalhadas, principalmente as que envolvem sua amiga Vee.

Vee é o oposto de Nora fazendo com que uma complete a outra, como peças importantes de um quebra-cabeça. Enquanto Nora é tímida, Vee é espontânea, espalhafatosa e adora chamar a atenção.

Além da excelente narrativa criada por Becca, ela ainda consegue criar um personagem que vai além dos clichês “rapaz misterioso e lindo” presente na maioria dos livros de fantasia. Patch é cínico, irônico e possui um humor sarcástico que torna tudo ainda mais interessante na trama. Embaixo das camadas de bad boy, ele ainda demonstra um carinho e extinto protetor por Nora numa mistura excitante de desejo, raiva e sedução.

Se Patch tivesse atacado Vee, ele devia tê-la visto saindo da loja com minha jaqueta e pensado que era eu. Quando descobriu que estava seguindo a garota errada, deu coronhadas em Vee por estar furioso e desapareceu”.

Ao decorrer do livro os mistérios vão sendo resolvidos e as armações que a autora faz são respondidas. O livro é envolvente e faz você querer devorar as páginas até a última, que traz um desfecho simples, emocionante com gosto de quero mais.

“Ele abriu o sorriso quando não protestei e abaixou a boca em direção à minha. O primeiro toque foi apena isso – um toque. De uma suavidade tentadora, provocante. Passei a língua nos lábios, e o sorriso de Patch aumentou”.

Para quem ainda não leu Sussurro, eu recomendo a leitura. Depois de ler deixem a opinião nos comentários.

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