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********************************NÃO contém spoiler******************************** Autor: Thomas Wheeler – Ilustrador: Frank Miller Editora: HarperCollins / Idioma: Português / Gênero: Fantasia YA / 416 páginas *** Série: Cursed: A Lenda do Lago (Netflix) / Roteiro e produção: Thomas Wheeler e Frank Miller / Direção: Zetna Fuentes CONFIRA A RESENHA DE AS BRUMAS DE AVALON CLICANDO AQUI *** Entre ..

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Cursed: A Lenda do Lago (Netflix – Livro e série): Percepções e veredito.

********************************NÃO contém spoiler********************************

Autor: Thomas Wheeler – Ilustrador: Frank Miller

Editora: HarperCollins / Idioma: Português / Gênero: Fantasia YA / 416 páginas

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Série: Cursed: A Lenda do Lago (Netflix) / Roteiro e produção: Thomas Wheeler e Frank Miller / Direção: Zetna Fuentes

CONFIRA A RESENHA DE AS BRUMAS DE AVALON CLICANDO AQUI

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Entre tantas histórias, contos, romances, recontos e adaptações, no dia 17 de julho deste ano estreou na Netflix mais um reconto da lenda Arthuriana; mas desta vez, assim como em As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bardley, temos o foco em uma personagem feminina. Baseado no romance de mesmo nome escrito por Thomas Wheeler e ilustrado por Frank Miller (Já lançado por aqui pela editora Harpercollins), acompanhamos a jornada de Nimue (Katherine Langford), uma corajosa e poderosa garota que terá como missão entregar ao lendário mago Merlin uma poderosa espada. Desejada por reis e cobiçada por um perigoso padre, tal poderoso artefato levará a personagem central em uma jornada repleta de encontros, desencontros, batalhas e revelações. Se já leu alguma das famosas obras em que Arthur e seu universo é explorado, se sentirá bastante confortável e talvez se divirta ainda mais, seja lendo o romance YA de Wheeler ou vendo a série.

Pela primeira vez em minha vida como leitor, não li a obra antes de ver sua respectiva adaptação. Resolvi dessa vez fazer uma experiência diferente… ler a história ao mesmo tempo que via a série. Posso dizer que foi uma jornada interessante, engrandecedora, divertida e instigante. Minhas percepções se tornaram mais afiadas, mais críticas, mais certeiras e muito mais aprofundadas. O romance de Thomas Wheeler apresenta uma narrativa bastante juvenil, com descrições pífias tanto dos personagens quanto da ambientação. Mas segue uma tragetória que diverte, que muitas vezes encanta e que apesar de diversas obviedades, pode surpreender alguns leitores, se você não for o tipo que costuma se ater ao detalhes reveladores que vão sendo entregues ao longo da leitura. A personagem principal é forte, decidida e nunca desiste de seus objetivos. O que é bacana e dá ânimo para que continuemos virando as páginas. A série da Netflix é quase que uma adatação literal do romance citado. Vemos cenas idênticas as do livro, com transcrições exatas de diálogos e com o desenvolvimento quase que 100% fiel. Temos na série algumas alterações que ao meu ver melhoraram e muito a história. Vemos personagens sendo melhores trabalhados e alguns aprofundamentos narrativos que muito me agradaram.

As ilustrações do mestre Frank Miller exercem no livro a função de transição de uma cena para outra, além de colaborar com a imersão e visualização de cenas e personagens. Na série também temos ilustrações que exercem a função transitória de corte de cena, além de servirem também como subterfúgios narrativos, algo que explanarei melhor a respeito. Não posso falar das ilustrações sem ressaltar o quanto elas também evidenciam a pobreza da escrita de Thomas Wheeler. O autor não cita em momento algum as características dos personagens (parecido com o que ocorre em As Brumas de Avalon, mas aqui me foi mais incômodo), apenas sabemos como muitos deles são, graças a Miller. Aliás, devo problematizar as caracterizações dos personagens na série. No livro vemos (pelas ilustrações) que Nimue é negra, com porte avantajado (musculosa) e com uma vestimenta mais selvagem, mais poderosa e muito mais identificável como alguém a ser temida. Sendo assim, quem achou que Katherine Langford poderia ser uma boa escolha para interpretar a personagem central? Qual a dificuldade de escalar uma atriz negra para o papel? E quem aprovou Devon Terrell para o papel de Rei Arthur? Quem achou que sua atuação era merecedora de tão importante personagem? Eu confesso que fiquei muito feliz por colocarem algumas representatividades na série (algo que não temos com tanta força no livro). Termos um Arthur e uma Morgana negros foi genial. Entretanto, a atuação de Terrell é muito fraca, beirando o horrível. Outro ponto também a ser devidamente ressaltado são as cenas de ação. No livro são escritas de forma mediana, mas na série são muito mal coreografadas, mal dirigidas e com atuações vergonhosas, para dizer o mínimo (pra mim só se salva a última cena). Alguns efeitos especiais também não colaboram. Nos primeiros episódios, alguns parecem gráficos de video game. E a Nimue de Langford é instável. A referida atriz parece se perder em alguns momentos, com fisionomia de quem vai chorar do nada ou de alguém insegura, que fica em um looping de autonegação  que a faz parecer mais uma garota mimada do que uma mulher poderosa. Bem diferente da Nimue do livro. E não foi dessa vez que tive também um Merlin que me agradasse…

E como citado no parágrafo anterior, as ilustrações transitórias da série servem como subterfúgios que evidenciam erros graves de roteiro. Elas surgem muitas vezes do nada, servem para cortar cenas cujos desenrolar de alguns acontecimentos não recebem os devidos cuidados narrativos, o que deixa claro o desenrolar sem sentido de algumas cenas. Erro de continuidade? Preguiça do diretor? Ou incompetência do roteirista (que nesse caso seria o prória Wheeler)? Contudo, não achem que desgostei totalmente do livro ou da série. Muito pelo contrário… me diverti bastante com ambos e acredito que o fato de ter lido enquanto assistia, me ajudou a ter uma experiência mais positiva com a obra original, do que eu teria se só tivesse lido o livro ou lido-o muito antes do lançamento da série. Livro e série se complementam MUITO bem. As temáticas como religião – e de como muitos a deturpam para manipular a população – preconceitos, sexualidades, fé e política são bem desenvolvidas (muito mais na série do que no livro).

Entre erros e acertos, posso dizer que Cursed: A Lenda do Lago é uma boa escolha para passar o tempo. Uma série e um livro legalzinhos. Lerei o segundo tanto quanto assistirei a segunda temporada. Muita coisa poderia ser bem melhores do que são; mas não fazem da história algo que deva ser evitado. Na lenda Arthuriana, a espada escolhe um rei. Em Cursed, a escolhida dessa vez é uma rainha. Uma mulher a ser temida, venerada, confrontada e seguida. Na guerra dos homens, talvez a vitoriosa seja uma mulher.

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