Título e Capa 5
Escrita / Enredo 4
Originalidade 5
Personagens 5
Final 3

******************************NÃO contém spoiler****************************** (CONFIRA A CRÍTICA DA PRIMEIRA TEMPORADA DA SÉRIE DA NETFLIX CLICANDO AQUI) *** Autor: Lemony Snicket (Daniel Handler) / Tradução: Carlos Sussekind Editoras: Companhia das Letras / Editora Seguinte  / Total de páginas da série: 2.808 páginas / Gênero: Aventura, fantasia infanto-juvenil, ficção infanto-juvenil / Idioma: Português /  Se você procura uma estória ..

Summary 4.4 Incrível
Título e Capa 5
Escrita / Enredo 4
Originalidade 5
Personagens 4
Final 5
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Summary 4.6 Incrível

Desventuras em Série: Vale a pena a leitura? #09

******************************NÃO contém spoiler******************************

(CONFIRA A CRÍTICA DA PRIMEIRA TEMPORADA DA SÉRIE DA NETFLIX CLICANDO AQUI)

***

Autor: Lemony Snicket (Daniel Handler) / Tradução: Carlos Sussekind

Editoras: Companhia das Letras / Editora Seguinte  / Total de páginas da série: 2.808 páginas / Gênero: Aventura, fantasia infanto-juvenil, ficção infanto-juvenil / Idioma: Português / 

(Fonte: planocritico.com)

Se você procura uma estória feliz, com um desenvolvimento alegre e com situações as quais os mocinhos sempre vencem no final, já os alerto; “Desventuras em Série” dos irmãos Baudelaire não são para você. Como o próprio autor diz no começo de todo livro da extensa série: “Largue este exemplar e vá atrás de algo mais alegre”. Eu não segui o conselho do autor, e ao longo de um ano e três meses acompanhei as “aventuras” assombrosas dos três órfãs desafortunados famosos na literatura infanto-juvenil.

Lemony Snicket é o autor, o narrador onipresente e um personagem de extrema importância. Daniel Handler utilizou deste famigerado pseudônimo para tecer uma narrativa cativante e envolvente do começo ao fim. O referido autor resolveu seguir a orientação de editores após o seu primeiro romance intitulado “O Clube dos Oitos” ser rejeitado pelas editoras em um primeiro momento. A missão? Escrever uma série infantil e comercial, exatamente o que dava lucro na época. Foi desta sugestão e do empenho deste talentoso escritor que surgiu “Desventuras em Série”, uma estória infantil/juvenil dominada por desgraças. Uma série que veio a ser considerada gótica por muitos críticos literários.

Após perder os pais em um misterioso incêndio e se tornarem herdeiros de uma cobiçada fortuna, os irmãos Baudelaire passam a ser perseguidos por um pérfido vilão. A interação entre os protagonistas é espetacular. O amor que nutrem um pelo outro e a forma como se completam faz com que se tornem personagens memoráveis. Claus é uma biblioteca ambulante. Um leitor ávido como nenhum outro, e que graças a isso possui conhecimentos esplêndidos que servirão em várias ocasiões de maneira pertinente. Violet é uma exímia inventora, capaz de criar qualquer coisa com materiais escassos. Ela se assemelha a Angus MacGyver, o protagonista da série televisa “Profissão: Perigo” dos anos 90. E Sunny é uma bebê que se comunica através de sons que apenas os irmãos entendem. Possui dentes afiados capazes de cortar qualquer coisa (é bem absurdo) e mesmo sendo uma bebê, ao longo da série recebe um destaque esplêndido, protagonizando cenas dignas de uma boa narrativa, onde na verdade, o verdadeiro protagonista é o absurdo.  E o vilão? Ah esse vilão!! Conde Olaf merece destaque entre os vilões que existem por aí. É mentiroso, engraçado, assassino, desequilibrado, manipulador e estrategista. Rouba a cena todas as vezes em que aparece. Impossível não rir de suas armações e achar completamente sem nexo as maneiras fáceis que sempre consegue escapar. Inverossímil, mas divertido na mesma proporção. A série é muito indicada, e nos proporciona uma marcante viagem literária. Mas preciso frisar alguns pontos que considero de suma importância quanto a esse clássico.

  1. A narrativa e sua estrutura se repetem nos seis primeiros livros (até onde lembro). Chegou um momento que fiquei incomodado e me cansei da série. O início, o desenvolvimento e os desfechos dos volumes são iguais. Só muda a ambientação e a inserção de novos personagens.

  2. Não existe uma época específica em que a estória se passa. Elementos de diversas épocas se misturam ao longo da narrativa dos treze volumes. O autor usa e abusa do anacronismo. Se você perceber ao longo da leitura diversas incongruências temporais, não se preocupe e não critique o autor, foi uma escolha proposital.

  3. Se você é um leitor que faz questão de respostas, então você terá uma relação conflituosa com esta série. Snicket apresenta MILHARES de mistérios e demora uma eternidade para entregar as tão desejadas respostas. São tantas perguntas, que muitas nem sequer são respondidas. Algo que não vi com bons olhos!

  4. É uma série voltada para um público mais juvenil, mas preciso frisar que há cenas de violência. Fica o aviso!

  5. O autor freia a narrativa e conversa com o leitor o tempo inteiro. A parede que separa o criador do leitor, não existe aqui.

 

***

Voltando…

Os personagens coadjuvantes são tão interessantes quanto os protagonistas e a maioria deles, senão todos (não posso afirmar porque não consegui captar todas as referências) possuem nomes e características de algum escritor famoso ou de alguma figura histórica. No último livro da série (O fim), todos os personagens coadjuvantes possuem nomes dos mesmos personagens da peça “A Tempestade” de William Shakespeare. Tudo a ver com a ambientação e desenvolvimento da trama final. O Sr. Poe, o primeiro tutor dos irmãos é a referência mais óbvia, uma clara homenagem à Edgar Alan Poe. O sobrenome dos irmãos Baudelaire é também uma homenagem de tirar o chapéu…, uma referência ao fundador da tradição moderna da poesia, Charles Baudelaire. São tantas referências, que “Desventuras em Série” é uma série rica que vale a pena ser lida. Uma experiência engrandecedora.

Existem críticas sociais pesadas e palpáveis, questões psicológicas, temas com cargas relacionadas ao relatismo moral, processo de luto, terrorismo e análise de justiça e injustiça. Os personagens aprendem muito e ensinam muito. Para uma criança, esta série irá colaborar e muito para o aumento de vocabulário e para reflexões importantes que são excelentes na fase de formação de caráter.

Ao longo dos treze volumes, alguns foram muito bons, alguns medianos e um bem decepcionante. Pra mim esta série é muito boa, mas tem um final péssimo. Achei o último volume precário. Passei por uma longa jornada pra terminar com mais perguntas do que as que já tinha no começo. O último volume vale pela analogia religiosa que o autor apresenta. Lemony Snicket constrói e entrega ao leitor uma inversão significativa da serpente e do fruto que Eva comeu e que veio a se tornar “O Pecado Original. ”

Se livre de sua normalidade e embarque na absurdidade criada por Daniel Handler. Em “Desventuras em Série” o normal não existe. A regra é ser anormal, e o que deveria ser aventuras se tornam desventuras. Uma série com altos e baixos, mas que valeu a pena. Achei incrível e vou guardar em minha memória e em meu coração esta série que merece toda a fama que obteve!

***

Notas Extras:

  1. Há a trilogia “Só Perguntas Erradas” que se passa no mesmo universo de “Desventuras em Série. ” Ela é protagonizada por Lemony Snicket, o autor e também personagem da série.

  2. Existem mais 8 livros sobre este mundo. São eles: Lemony Snicket: Biografia não autorizada, Cartas para Beatrice, Raiz Forte: Verdades Amargas Que Você Não Pode Evitar, 13 Segredos Chocantes que Você Vai Querer Nunca Ter Sabido Sobre Lemony Snicket, O Livro Vazio, As Notáveis Notações, Os Incompreensíveis Quebra-Cabeças: Irritantes Jogos Que Irão Irritar Muitas Pessoas e O Jantar Sombrio. ** Somente a Autobiografia e a trilogia “Só Perguntas Erradas” foram publicados no Brasil até o presente momento.

  3. Existe uma adaptação cinematográfica que compila os três primeiros volumes; e uma série na Netflix. Amo o filme e abandonei a série.

Livros que compõem a série:

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