Título e Capa 5
Escrita / Enredo 4
Originalidade 5
Personagens 5
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******************************NÃO contém spoiler****************************** (CONFIRA A RESENHA DE “A MELODIA FEROZ” CLICANDO AQUI) *** “O Dueto Sombria” a continuação de “A Melodia Feroz” da duologia “Monstros da Violência” publicado no primeiro semestre de 2018 pela editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras, dá prosseguimento ao primeiro livro desta estória que se tornou uma das melhores ..

Summary 4.8 Incrível
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O Dueto Sombrio: Os Monstros estão à solta!

******************************NÃO contém spoiler******************************

(CONFIRA A RESENHA DE “A MELODIA FEROZ” CLICANDO AQUI)

***

“O Dueto Sombria” a continuação de “A Melodia Feroz” da duologia “Monstros da Violência” publicado no primeiro semestre de 2018 pela editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras, dá prosseguimento ao primeiro livro desta estória que se tornou uma das melhores estórias de fantasia YA que li nos últimos anos. Bons personagens, uma narrativa instigante, um bom drama e um YA que foge do famigerado clichê “romance jovem no meio do caos. ”

Victoria Schwab (nome que a autora utiliza para seus livros mais juvenis) criou um mundo onde cada ato de violência gera um tipo de monstro. No primeiro livro acompanhamos dois protagonistas que se veem no meio de uma guerra, em um mundo dividido por duas facções. Kate é destemida, vingativa, ágil, inteligente e focada. August luta para aceitar sua condição, deseja ao máximo evitar atos de violência e reza para que um dia tudo chegue ao fim. A relação destes personagens me lembra bastante a relação de Mia e Tric de “Nevernight. ” Ambos são muito bem desenvolvidos e tudo é muito bem explicado pela autora. Ao iniciar a leitura de “O Dueto Sombrio” fui esperando uma continuação fabulosa e o que eu encontrei foi exatamente isso (ou quase isso). Minha relação e apego emocional com “A Melodia Feroz” é muito maior e eu de fato prefiro o primeiro volume. Ainda assim, entendo e concordo que esta continuação é melhor, quando paro para analisar de maneira mais técnica, não deixando meu emocional se sobressair neste processo analítico.

Aqui me deparei com um August mais forte, mais determinado e muito mais ágil. Suas ações me agradaram muito. A Kate está mais humana… continua sendo uma protagonista excelente, mas não senti toda a força que senti no primeiro livro. A dinâmica entre os personagens centrais passou durante bom tempo sem me mostrar um peso narrativo palpável. Gostei dos dois personagens e torci muito para que um romance entre eles surgisse (torço para isso desde o primeiro volume).

A narrativa se inicia mostrando ambos tentando lidar (cada um da sua maneira) com os acontecimentos de “A Melodia Feroz. ” Mas o livro também tem problemas. Confesso que até agora estou tentando entender a necessidade da existência dos novos “amigos” da protagonista que são apresentados no início da estória. Achei todos eles completamente perdidos e desnecessários. E eles realmente são, já que a própria autora os descarta sem se preocupar em apresentar uma desculpa meramente verossímil.

Apesar de não ter me envolvido com a estória logo de cara, amei este livro e achei o desenvolvimento de quase tudo excelente. Se no primeiro livro temos uma situação desesperadora, mas controlada de certa forma; em “O Dueto Sombrio” temos tudo fora de controle. Como diz o título da minha resenha, aqui os monstros estão à solta, salve-se quem puder.

Um novo tipo de monstro surge e passamos 98% da leitura tentando entender o surgimento desta criatura. Que tipo de violência a faz surgir? Como derrotá-la? Existe apenas uma ou outras surgirão? Muitos questionamentos tanto de quem está lendo quanto dos próprios personagens.

Os vilões continuam incríveis e a ambientação é sensacional. As cenas de ação são boas (ainda prefiro as de “A Melodia Feroz”) e o desenrolar das subtramas são bem inseridos. O desfecho desta duologia é devastador. Ao terminar de ler, percebi que nunca estarei preparado para determinadas decisões narrativas.

A autora levanta alguns questionamentos interessantes. Quem tem o direito de decidir quem deve viver e quem deve morrer? As pessoas não têm o direito de errar? Ninguém merece uma segunda chance? Questionamentos semelhantes são levantados em “O Ceifador” de Neal Shusterman, outro livro muito bom.

“O Dueto Sombrio” é uma estória que relata situações de perda, a necessidade de perdoar e de ser perdoado, a dificuldade de lidar com as consequências de nossos atos, confiança, amizade, preconceitos e o instinto intrínseco de sobrevivência do ser-humano. “Monstros da Violência” é uma duologia fabulosa que indico muito para quem gosta de fantasia e para quem detesta clichês.

Lidar com os monstros alheios é uma tarefa até que bem fácil. Mas como lidar com os nossos próprios monstros? Como nos perdoar e como seguir em frente depois de destruirmos e afastarmos quem nos ama? Victoria Schwab tenta responder questões como essas. Ela consegue? Talvez não como gostaríamos. Mas as respostas entregues são interessantes, traz verossimilhança e nos faz perceber que ainda é possível escrever uma fantasia YA que traga peso e reflexões para quem se propor a lê-las.

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