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O POÇO (NETFLIX): ANGUSTIANTE E GENIAL! O POÇO (NETFLIX): ANGUSTIANTE E GENIAL!
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********************NÃO contém spoiler********************* ATÉ ONDE CONSEGUIRÍAMOS IR ANTES DE ENLOUQUECERMOS? Talvez o inferno esteja mais próximo do que imaginamos. Nossas ganâncias e nossos egoísmos... O POÇO (NETFLIX): ANGUSTIANTE E GENIAL!

********************NÃO contém spoiler*********************

ATÉ ONDE CONSEGUIRÍAMOS IR ANTES DE ENLOUQUECERMOS?

Talvez o inferno esteja mais próximo do que imaginamos. Nossas ganâncias e nossos egoísmos nos tornam nossos próprios maus. O Poço, a nova obra-prima da Netflix dirigida por Galder Gaztelu-Urrutia e roteirizada por David Desola e Pedro Rivero, trata-se de um filme espanhol de terror psicológico que mostra as camadas da insanidade humana. Tendo uma prisão como um de seus personagens centrais, o aclamado terror nos choca com cenas de individualismo extremo e de atitudes chocantes, que nos levam a crer que no lugar dos personagens centrais agiríamos da mesma forma, senão pior.

Quando Goreng (Iván Massagué Horta) acorda em um “quarto” e percebe que se encontra em uma prisão dividida em milhares de níveis, se questiona o sentido de tal formato e a dinâmica de tal local. Tudo piora quando uma plataforma com alimentos começa a descer, onde quem está acima come, e quem está abaixo come o que sobrar do nível anterior; até não chegar nada para os níveis mais abaixo, levando os prisioneiros a enlouquecerem e a tomarem atitudes insanas de brutalidade e desumanidade.  Uma clara crítica ao sistema capitalista. A obra é repleta de referência bíblicas e literárias, que são apresentadas através de metáforas e simbolismos que chegam a assustar, tamanho suas acidez e assertividades.

O QUE É REAL E O QUE É APENAS ALUCINAÇÃO? NO QUE ACREDITAR?

As atuações e desenvolvimento da trama me deixaram embasbacado. Algumas cenas me abalaram e outras me fizeram questionar se a raça humana é tão racional como afirma ser. Tendo como base o livro Dom Quixote de Miguel de Cervantes e a obra A Divina Comédia de Dante Alighieri, o terror de Urrutia explora a fundo as superfícies da transformação de sanidade para insanidade. Com diálogos mais que bem escritos, o filme não é apenas claustrofóbico e reflexivo, mas também choca ainda mais por ser enigmático e interpretativo de forma a nos bugar. Algo próximo com o que senti ao ver o filme Nós de Jordan Peele. 

O Poço é certamente uma das coisas mais geniais que tive a oportunidade de assistir nos últimos anos. Dialoga assustadoramente com nosso momento atual e critica com audácia e honestidade nossos comportamentos tidos como lógicos. Um filme inteligentíssimo que merece ser visto por todos (apesar de não ser para todo mundo). É a angústia em sua forma mais brutal!

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CONFIRA TAMBÉM A CRÍTICA DE NÓS CLICANDO AQUI

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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