Mundo das Resenhas
O Senhor das Moscas – William Golding | O que somos? […] O Senhor das Moscas – William Golding | O que somos? […]
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******************************NÃO contém spoiler****************************** Autor: William Golding Editora: Nova Fronteira / Gênero: Distopia / Idioma: Português / 258 páginas O que faz um clássico um... O Senhor das Moscas – William Golding | O que somos? […] 4.5

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Autor: William Golding

Editora: Nova Fronteira / Gênero: Distopia / Idioma: Português / 258 páginas

O que faz um clássico um clássico? Sua escrita, sua visão de futuro, suas críticas e suas reflexões imponentes e inevitáveis? O Senhor das Moscas possui tudo isso e um pouco mais. Não se deve lê-lo esperando uma trama onde o que reinará será o positivismo, a progressão humana ou uma aventura divertida sobre garotos em uma “ilha deserta”. O que você irá encontrar é claramente um estudo sobre a racionalidade humana (ou a falta da mesma) em uma narrativa angustiante sobre a regressão humana diante das interpéries e dúvidas sobre sobrevivência, violência (inerente aos seres humanos) e ditadorismo. Tudo isso em um enredo bastante simples, com uma escrita básica, impactante e muito reflexiva, onde o que predomina além de muitos outros aspectos é o debate sobre Natureza vs Razão.

Quando um grupo de garotos vítimas e sobreviventes de um acidente aérea caem em uma ilha deserta sendo os únicos a sobreviverem, resta-nos a crucial dúvida: O que acontecerá a partir deste ponto? Laureado com o prêmio Nobel de literatura em 1983, Golding se aprofunda na psique humana de seus personagens, mostrando com eficácia o quão bárbaros os seres-humanos podem vir a ser, e o quão difícil pode ser mantermos a ordem em uma sociedade amedrontada. Analisando os aspectos civilizatórios e insandecidos da obra e suas semelhanças com a realidade, nos assustamos ao percebermos nossas fragilidades diante do desconhecido, além  de nossas afobações e venerações a violência, o que remete ao nome da obra, que por sua vez trata-se de uma referência a Belzebu, a entidade que representa o mal, a carnificina e a loucura; sendo também uma alusão ao próprio Diabo.

Com alegorias políticas e sociais, o clássico pós-guerra de William Golding (lançado em 1954) acerta na mosca em nos colocar contra a parede e nos forçar a refletirmos sobre questões incomodas sobre nossa humanidade em si. Não nego que esperava muito mais da escrita e do desenvolvimento de certos pontos narrativos. Contudo, O Senhor das Moscas possui muito mais pontos positivos do que negativos; não por ser um clássico, mas por seu uma obra desconfortável, audaciosa e necessária. Em tempos tão nebulosos, refletir é o que todos nós deveriamos fazer e o que a obra em questão nos suscita. Sendo a personificação do que é ser atemporal, o romance distópico do aclamado escritor inglês, termina de forma inteligente deixando uma questão a se pensar: O que somos? Humanos ou um bando de selvagens?

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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