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Odisseia – Homero | Um presente dos deuses aos efêmeros. Odisseia – Homero | Um presente dos deuses aos efêmeros.
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******************************NÃO contém spoiler****************************** Autor: Homero / Tradutor: Christian Werner Editora: Cosac Naif / Poesia Épica / Idioma: Português / 640 páginas No céu, os... Odisseia – Homero | Um presente dos deuses aos efêmeros.

******************************NÃO contém spoiler******************************

Autor: Homero / Tradutor: Christian Werner

Editora: Cosac Naif / Poesia Épica / Idioma: Português / 640 páginas

No céu, os poderosos e ardilosos deuses que astuciosamente manipulam e regem a vida dos mortais, que em terra os temem, os veneram e se tornam pilares essenciais nos jogos divinos em que a mortalidade se torna a diversão daqueles que à imortalidade pertencem. Entre aprisionamentos, confrontos com gigantes, sereias, feiticeiras e deuses, acompanhamos a jornada de regresso de Odisseu (também conhecido por Ulisses), o herói que em Ilíada exerce papel fundamental na famigerada guerra de Troia, e que aqui toma para si o protagonismo de uma trama de idas, vindas e voltas de uma jornada que parece não ter fim. Ler Odisseia é embarcar em uma narrativa in media res, em que o autor brinca com a não linearidade, explorando um universo em que mitos, lendas e acontecimentos extraordinários tomam proporções que desafiam a realidade e a historiografia da obra e de seu criador. Se Homero existiu ou não, se é um ou vários aedos (compositor de um poema que o divulgava de forma oral) que juntos formam um, não tem importância quando encaramos de frente a relevância da obra que em sua magnitude superou com maestria a questão que a seu criador pertence.

A trama dividida entre diversos personagens, linhas temporais e desafios a serem superados pelo protagonista e coadjuvantes, possui a capacidade de exercer um fascínio nos leitores provenientes do fantástico e do suspense da obra, que muito bem construída transforma a narrativa de Homero em algo que vicia, encanta e se torna bela pela sonoridade e alocação das palavras, que unidas formam imagens vívidas dos personagens e suas aventuras e desventuras em meio ao real e ao mágico. Odisseia trata-se de uma jornada de um herói que deseja ir de encontro ao passado, voltar a torná-lo seu presente e fazer do mesmo seu futuro, aproveitando de seu verdadeiro eu para prosperar ao lado daqueles que ama. Uma narrativa em que o suspense, a dúvida pela incerteza e a emoção caminham lado a lado do início ao fim dessa jornada que os deuses tecem como se as moiras fossem.

Não posso dizer que se trata de uma leitura de fácil assimilação e compreensão. Algumas releituras de cantos chaves e algumas pesquisas podem se fazer necessárias caso não seja muito conhecedor (a) da mitologia greco-romana no geral. Diversos deuses são citados, as vezes de formas diretas, outras de formas metafóricas levando-se em conta o que representam. A leitura de uma obra de tamanha importância literária como Odisseia é uma jornada que imita a arte e que se encarada sem grandes meandros por parte do leitor, pode ser uma experiência singular, que te unirá ao personagem de forma transcendental, cada um em sua jornada; cada um com suas tormentas ao longo do caminho.

Se em Ilíada temos uma narrativa violenta que podemos classificar como a jornada de um herói que a morte de encontro vai (na verdade acelera o processo de encontrá-la – ou não), em Odisseia temos a jornada de um herói que se move pela esperança, pela perspicácia e que dá morte desvia a fim de alcançar seu objetivo e superar os desafios que os deuses colocam a sua frente. Duas obras muito diferentes entre si, mas que se complementam e juntas formam toda uma jornada de mortais, deuses, ambições, artimanhas e desdobramentos de um período didícil de decifrar. Narrativas por vezes ambíguas, prazerosas quanto ao processo de decifrá-las, que enriquece qualquer leitor e que nos faz entender com esmero as razões que a colocam no patamar das grandes obras literárias existentes.

Não irei entrar em grandes detalhes a respeito das três grandes linhas narrativas que compõem a obra, exatamente por acreditar que o fantástico está em destrincharmos o poema conforme o lemos; conhecendo os personagens, suas angústias e desenvolvimentos conforme os mesmos vão nos sendo entregues pelo autor. Mas acreditem, cada esforço, cada momento de imersão e compreensão adquiridas fazem todo o processo de leitura valer a pena. Talvez você termine a leitura em extâse (como aconteceu comigo), confuso (a), apaixonado (a) ou com qualquer outro sentimento que nós meros mortais somos capazes de despertar. Mas uma coisa eu tenho certeza, passar por Odisseia com indiferença não será uma delas. A obra-prima de Homero é completa, repleta de camadas que te farão entender com profundidade a famosa frase de Ezra Pound – um dos maiores poetas, críticos lierários e figura importantíssima do movimento modernista do início do século XX – “A grande literatura é apenas uma linguagem carregada de sentido até o mais elevado grau possível”. Espero que este sentido assim como eu, você encontre ao terminar de ler esta, que não consigo enxergar de outra forma que não um presente dos deuses aos efêmeros que abaixo de si caminham e vivem sobre a nau da mortalidade.

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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