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******************************NÃO contém spoiler****************************** Autora: Tabitha King / Tradução: Regiane Winarski Editora: Darkside Books / Gênero: Thriller Psicológico / Idioma: Português / 420 páginas Publicado pela primeira vez no Brasil em 1985 pela extinta editora Francisco Alves, com o título “Miniaturas do Terror”, o então agora “Pequenas Realidades” da autora Tabitha King, esposa de Stephen King, ..

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Pequenas Realidades: Bizarro, medíocre & decepcionante.

******************************NÃO contém spoiler******************************

Autora: Tabitha King / Tradução: Regiane Winarski

Editora: Darkside Books / Gênero: Thriller Psicológico / Idioma: Português / 420 páginas

Publicado pela primeira vez no Brasil em 1985 pela extinta editora Francisco Alves, com o título “Miniaturas do Terror”, o então agora “Pequenas Realidades” da autora Tabitha King, esposa de Stephen King, estreia em uma nova casa editorial e se relança como uma das grandes apostas da Darkside Books, entrando para o time de autoras do selo Darklove. Com uma narrativa absurdamente estranha que ultrapassa a compreensão lógica da bizarrice, o romance aborda de maneira “macabra” e distorcida a fascinação por casas de bonecas e miniaturas. A proposta de Tabitha King é brincar, subvertendo a realidade nos apresentando um mundo com proporções claustrofóbicas, regado de atitudes psicológicas desumanas. Explorando as psiques humanas de seus personagens de maneira a atingir a dos leitores, a obra se consagra como um thriller psicológico no mínimo interessante. Mas não passa disso; de um plot interessante.

“Pequenas Realidades” sofre de diversos problemas narrativos graves. Focada em Dorothy Hardesty Douglas, filha de um ex-presidente dos Estados Unidos, uma socialite obcecada por casas de bonecas e detentora de uma famosa réplica da casa branca, a trama aborda relações familiares e interpessoais disfuncionais. A protagonista passa a ter contato com um ex-cientista do governo que outrora trabalhou em um misterioso projeto que acabou abortado. Diante disso passa a construir com tal personagem uma relação doentia que enriquece sua fascinação por miniaturas e a leva à loucura, de modo que passa a ter a oportunidade de torturar as pessoas que despreza. Mas essa questionável relação é iniciada de forma abrupta e sem lógica alguma. Toda a manipulação da personagem central sobre tal cientista não possui alicerces convincentes, além dos personagens serem muito mal trabalhados. Não há uma contextualização lógica que justifique seus distúrbios mentais.

Outro grande problema é a falta de explicações lógicas para o que ocorre na trama. Mesmo em se tratando de uma narrativa absurda que caminha lado a lado com a ficção-científica, a falta de explicações plausíveis enfraquece de forma incomoda a já tão problemática narrativa da autora. E tudo piora quando isso é evidenciado através de diálogos fracos onde nem mesmo o tão “famoso” cientista consegue explicar sua própria invenção; o que deixa evidente a total falta de pesquisa da referida escritora. Quando temos obras que flertam com a ficção-científica absurda, é importante que haja um contexto que supere a possível falta de respostas. Quando lemos “A Metamorfose” de Franz Kafka, nos deparamos com uma situação ilógica, mas que é superada pela narrativa metafórica cheia de críticas sociais. Quando lemos “Kindred: Laços de Sangue” de Octavia E. Butler, nos deparamos com uma situação tão ilógica quanto a de Kafka e que não nos entrega uma resposta; mas tal problema é superado pela crítica sócio histórica que a trama nos entrega. Ambas as obras nos fazem refletir sobre pilares sociais e familiares importantes. O que não ocorre com “Pequenas Realidades”, que se prova um livro precário em quase sua totalidade.

E seria ótimo se minhas críticas tivessem se encerrado no parágrafo anterior certo? Pois é… Infelizmente elas continuarão. A autora inicia a trama nos apresentando dois personagens supostamente importantes. Mas o que acontece? Eles somem do nada como se autora tivesse esquecido deles. Depois de infinitas páginas ressurgem, apresentam diálogos insossos de cinco linhas e voltam a sumir. O que nos impede de criarmos um vínculo com os mesmos, impactando de forma negativa o desfecho. Os personagens parecem deslocados, como mínimos pedaços de carne perdidos em uma imensa panela de sopa (comparação tosca, mas inserida de maneira proposital, já que o livro é tão tosco quanto). A ambientação também é limitada e a história não sai do lugar. Diálogos e situações repetitivas que fazem com que um capítulo seja a cópia descarada do anterior. Ler dez páginas de “Pequenas Realidades” é como ler mil páginas, tamanho a canseira que ele desperta.

E não posso deixar de citar que todo o impacto externo causado pelas ações dos personagens centrais é apresentado de maneira irregular. Com trechos de jornais mal inseridos, a autora tenta nos convencer que as ações insanas da trama estão gerando impactos midiáticos e políticos. Mas tudo é inserido de maneira que fica evidente a total falta de interesse da mídia em geral. O que soa ridículo e inverossímil. Apenas para dar um exemplo do que ocorre… um prédio no meio de Nova York some da noite pro dia e tudo é tratado como normal. Na verdade, a autora nos apresenta essa situação mais que absurda e depois se esquece deste fato, pois não o menciona mais. Afinal de contas, é normal prédios evaporarem do dia pra noite, certo?

E depois de páginas e mais páginas que parecem não chegar a lugar nenhum, nos deparamos com o tão desejado desfecho (que me pareceu inalcançável). E o que dizer do grande clímax? Previsível, repleto de diálogos infantis e de situações vergonhosas. Ler “Pequenas Realidades” me foi uma tortura do início ao fim. Um processo cansativo que me faz não querer ler mais nada da autora. Uma obra com uma ideia interessante, mas mal aproveitada. “Pequenas Realidades” sofre de problemas sérios de estruturação de texto e desenvolvimento criativo. O que prova que ter boas ideias não vale de nada se não soubermos trabalhá-las. Tabitha King infelizmente entra no meu roll de decepções literárias. Fui mais torturado que os personagens da trama. Triste, mas a pura realidade. Dessa vez devo dizer que em se tratando de “Pequenas Realidades” só se salva a edição.

***

(CONFIRA A RESENHA DE “KINDRED: LAÇOS DE SANGUE” CLICANDO AQUI)

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