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Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02 Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02
*****************************NÃO contém spoiler***************************** (Confira o primeiro “Vale a pena a leitura?”, a resenha da trilogia “A Rebelde do Deserto” clicando AQUI) O que você... Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02

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(Confira o primeiro “Vale a pena a leitura?”, a resenha da trilogia “A Rebelde do Deserto” clicando AQUI)

Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02

(https://www.goodreads.com/book/show/37586799-half-a-king)

O que você espera encontrar em uma história de fantasia? Talvez você tenha pensado em diversos elementos que te agradam quando o assunto é este fascinante gênero. Independentemente do que tenha pensado, acredito que Joe Abercrombie é um autor pra você. Ele não é um autor convencional, que irá te apresentar uma narrativa previsível. Ele também não irá te apresentar nada tão detalhado, repleto de descrições minuciosas à lá Tolkien. Mas ele não decepciona quando o assunto é construção narrativa mesmo que não alcance o nível de outros grandes escritores do gênero.

A “trilogia Mar Despedaçado”, a que será aqui resenhada, trata-se de uma trama engenhosa. Um mini quebra cabeça divertido de ser montado. Yarvi, o protagonista, é um meio-homem, um meio guerreiro e um meio rei. Devido uma deformidade que possui em uma das mãos, o termo designado a ele é exatamente esse, o vocábulo que com significação duvidosa, é aplicado na narrativa como um termo pejorativo que tem a intenção de diminuir possíveis capacidades do personagem central.  Após ser traído e impedido de ocupar o trono que é seu por direito, passa a ser considerado morto, sobrevive e promete se vingar.

“Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro. ”

“Meio Rei” começa muito bem, apresentando um personagem incapaz de ser um guerreiro, mas que possui uma inteligência assustadora. Ele vai crescendo durante a narrativa e sua relação com os demais personagens é bem desenvolvida. Sua jornada é interessante e os plot-twists inseridos pelo autor de fato surpreendem. A escrita de Abercrombie é simples, objetiva, descritiva no ponto certo e funcional no que diz respeito a tão importante imersão.

Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02

(https://acervodoleitor.com.br)

A inserção de personagens femininas empoderadas nas continuações traz incrementos importantes não somente no que diz respeito a representatividade. Com tais personagens, os diálogos se tornam mais interessantes e as cenas de ação ainda mais surpreendentes e melhores descritas. Tudo isso a partir de “Meio Mundo” que é sensacional do começo ao fim. A famosa maldição do segundo livro não ocorre com essa trilogia. O segundo volume é alucinante, a protagonista é magnífica em todos os quesitos e o equilíbrio que se cria entre ela e Yarvi é de satisfazer qualquer leitor (acredito eu). Thorn é uma guerreira que não baixa a cabeça, que luta sem medo de morrer e que não é a melhor pessoa para se ter como inimiga. “Meio Mundo” é o tipo de livro que não dá para largar até terminarmos. Alucinante, cheio de ação e com muitas cabeças rolando. Um livro excelente e que quando termina, deixa um vazio que nos faz pegar o último volume quase que na mesma hora.

Trilogia Mar Despedaçado: Vale a pena a leitura? #02

(https://acervodoleitor.com.br)

É importante frisar, que sou um leitor complicado e normalmente tenho problemas com finalização de séries no geral. E com o último livro de “Mar Despedaçado” não foi diferente. “Meia Guerra” parece agradar a maioria dos leitores que inclusive costumam considerá-lo o melhor livro da trilogia. Entretanto, para mim ele não foi funcional em praticamente nada. Senti que o equilíbrio estabelecido nos livros anteriores (em relação aos personagens masculinos e femininos) não se sustentou no tão aguardado desfecho. Acompanhei muito do personagem masculino e não tive quase nada da protagonista feminina. Me decepcionei, me incomodei e me irritei. Algumas mortes ocorrem de maneiras tão breves e pouco impactantes que não me importei com as mesmas; o que me causou um sentimento ruim, já que foram mortes de personagens importantes e não de meros coadjuvantes, que estão ali apenas para aumentar o portfólio de personagens. Sem contar desconstruções que em minha opinião não foram bem executadas. A estruturação narrativa de Abercrombie é de fato muito boa e eu consigo compreender a fascinação que “Meia Guerra” causa na maioria das pessoas que o leem. Mas já acompanhei desconstruções de “verdades absolutas” empregadas de maneiras muito mais verossímeis por autores (desculpem a sinceridade) que deixam Joe Abercrombie no chinelo; como George R. R. Martin, por exemplo. O que ele faz em “Meia Guerra” me soou muito mais como algo juvenil do que como algo aceitável. Mas repito, esta é uma opinião que se destaca por ser uma exceção, já que a maioria dos leitores enaltece este desfecho.

“Mar Despedaçado” é pra quem gosta de fantasias audaciosas, com guerras, muita ação, intrigas políticas, reviravoltas, magias esquecidas/proibidas e vilões para se odiar até sentir dor de cabeça. É uma boa trilogia que vale a pena o investimento, tanto financeiro quanto de tempo. Terminei minha jornada decepcionado, mas ainda assim indico bastante. Joe Abercrombie é um autor que vale a pena ser conferido. Se é fã de fantasia, leia o quanto antes. “Mar Despedaçado” provavelmente irá te chocar e irá te provar que em um jogo político tudo é possível. Te desafio a juntar as peças e desvendar o final antes mesmo dele lhe ser entregue. Uma fantasia excelente e um bom começo para quem deseja ler autores de calibre como George Martin, Brandon Sanderson, Anthony Ryan…. Imersivo e inimaginável! Uma fantasia onde palavras podem ser mais brutais do que espadas.

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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