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Trilogia Millenium: Vale a pena a leitura? #14 Trilogia Millenium: Vale a pena a leitura? #14
******************************NÃO contém spoiler****************************** Autor: Stieg Larsson Editora: Companhia das Letras / Gênero: Policial / Idioma: Português / Total de páginas da Trilogia: 1.824 Considerado... Trilogia Millenium: Vale a pena a leitura? #14

******************************NÃO contém spoiler******************************

Autor: Stieg Larsson

Editora: Companhia das Letras / Gênero: Policial / Idioma: Português / Total de páginas da Trilogia: 1.824

Considerado um dos principais romances da literatura policial, a famosa “trilogia Millenium” de Stieg Larsson se consagra como o um marco do gênero por transpor os limites sociais e literários impostos quando o assunto é o gênero o qual ela faz parte. Com uma protagonista estranha e enigmática, o romance apresenta uma estrutura complexa, com diversos personagens e uma cronologia familiar difícil de se assimilar. Com um ritmo lento, “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, o primeiro volume, nos consagra com dois personagens centrais que se completam e se unem para desvendar um mistério que vai além da superficialidade e dos clichês. Quando temos um crime ocorrido há anos atrás, aparentemente insolúvel, o que se deve fazer? Chamar um detetive sabichão para resolver o caso, certo? Errado. Em Millenium quem entra em cena é Mikael Blomkvist, um famoso jornalista investigativo que por estar passando por um processo de difamação, acaba aceitando a missão de desvendar um misterioso desaparecimento (ou seria um assassinato?), ganhando em troca a chance de se afastar dos holofotes, se isolando em um lugar distante de tudo e de todos. Sua jornada o leva a conhecer Lisbeth Salander, uma mulher magra (quase esquelética), pálida, antissocial, tatuada e hacker. A personificação da audácia e da inteligência e que é sem sombras de dúvidas uma das melhores personagens femininas já criada na literatura em geral.

A escrita de Larsson nos afoga e nos desafia a desvendar todos os mistérios e crimes sustentados por uma sociedade machista, hipócrita e corrupta. Os conflitos sociais levantados pela obra nos divertem e nos fazem refletir sobre temas impactantes, apresentando dados reais de violência contra mulheres e o quanto o ambiente nos molda como seres-humanos. A protagonista além de fugir de padrões físicos impostos socialmente, apresenta um comportamento vingativo (beirando a sociopatia), capaz de saciar os nossos lados humanos que tanta anseiam por justiça, independentemente de que lado esta justiça venha. É importante frisar, que a obra não nos poupa de cenas fortes de estupro e tortura, muito bem descritas, que mexem com nossas emoções e psicológicos, fazendo de nossa jornada literária algo visceral e transcendental.

Repleta de camadas, a trilogia nos instiga a querer saber mais e mais dos personagens, dos conflitos e das possíveis relações que vão se construindo ao longo das milhares de páginas que compõem este monumento. E todas essas nossas vontades e curiosidades são saciadas com “A Menina Que Brincava Com Fogo” (volume II) e com “A Rainha do Castelo de Ar” (volume III). Vamos nos aprofundando na vida e no passado de Salander de forma a quase termos um infarto com as revelações entregues pelo autor. Eu posso passar horas e horas falando dessa trilogia e sinto que mesmo assim não conseguirei me expressar de forma adequada e convincente. Mas acreditem, Millenium é uma obra-prima! Todas as críticas ao sistema político sueco, juntamente com a escrita pesada e corajosa do escritor, fazem desta trilogia um clássico moderno do gênero policial.

Mas preciso ressaltar, os créditos não devem ser dados apenas a Stieg Larsson. Durante todo o trabalho de concepção e desenvolvimento tanto da trama quanto dos personagens, contou com a ajuda de Eva Gabrielsson, uma escritora e tradutora, amiga do autor que o ajudou na criação do fascinante universo da obra. Por questões contratuais e devido a falta de um testamento de Larsson, que faleceu em 9 de Novembro de 2004, Gabrielsson se viu impossibilitada de dar continuidade a série planejada pelo autor para ser composta de 10 volumes.David Lagercrantz foi escolhido como o sucessor de Larsson e lançou em 2015 o quarto volume intitulado “A Garota na Teia de Aranha” que deu origem ao filme norte-americano lançado em 2018, o qual foi um fracasso de bilheteria. Mas o que devemos esperar de continuações escritas por alguém que já fez questão de declarar em entrevistas que não gosta da protagonista criada por Stieg Larsson? Ainda não li, mas já espero qualquer coisa. Mas de uma coisa eu tenho certeza, existem livros ruins, livros medianos, livros bons e os excepcionais. Millenium está na categoria dos mais que excelentes. É o tipo de obra que nos leva a acreditar que alguns autores possuem dons divinos muito mais que meros talentos humanos. Uma leitura obrigatória pra quem aprecia algo além do simplesmente bom.

Curiosidades:

  1. Há uma série televisiva sueca baseada nos romances de Stieg Larsson.

  2. Larsson morreu e deixou um quarto volume inacabado, com o título provisório de “A Ira de Deus”

  3. Em 2011 tivemos a adaptação cinematográfica estadunidense de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” protagonizado por Daniel Craig e Rooney Mara. Teve boas críticas, mas a bilheteria não animou os executivos a darem continuidade cronologicamente, o que acarretou em uma repaginada com o lançamento da adaptação de “A Garota Na Teia de Aranha” com um elenco totalmente novo.

  4. Lisbeth Salander é a versão adulta (imaginada por Larsson) de Pipi das Meias Longas, a protagonista de uma série de livros infantis suecos escritos por Astrid Lindgren.

  5. A trilogia original vendeu mais de 80 milhões de cópias ao redor do mundo.

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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