Nomadland | O que faz de um lugar nosso lar? (#Oscar2021)

******************************NÃO contém spoiler******************************

Nada do que eu escreva; nenhuma sentença que eu formule e aqui exponha, trará a tona ou conseguirá definir com clareza a grandeza e emoção do que Nomadland representa em sua essência. É completamente indecifrável meus sentimentos e percepções sobre esta narrativa tão tocante e melancólica como a dirigida e roteirizada por Chloé Zhao e protagonizada pela força incontrolável chamada Frances Mcdormand.

Baseado no romance de mesmo nome escrito por Jessica Bruder e lançado em 2017, a trama nos conta a trajetória de Fern, uma mulher de 60 anos que após crises financeiras e um grande abalo emocional, se joga na estrada, se transformando em uma nômade moderna. Construindo amizades e explorando as ruínas do país o qual pertence, a protagonista navega entre incertezas e descobertas sobre questões existencialistas a respeito da vida e os tão frágeis alicerces que a mantém em pé.

A carga emocional, muito bem evidenciada pela trilha sonora e pela direção, expande os panoramas do enredo e abre espaço para que Frances Mcdormand  brilhe ainda mais, nos entregando uma atuação que nos desperta empatia, tristeza e reflexões. A fotografia e paleta de cores utilizadas na maioria das cenas, se afunda em cores opacas que eleva o esmorecimento narrativo e nos coloca no cerne da real emoção do filme, que como um inesperado evento tempestuoso, nos encharca, nos amortece, mas também nos mostra que mesmo diante das dificuldades e intempéries sociais ainda é possível nos mantermos em pé e continuarmos nesta estrada chamada vida.

Com planos sequencias excepcionais e um desenrolar narrativo bastante documental, Nomadland nos convida a questionarmos e nos questionarmos sobre imposições sociais, preconceitos, a busca por pertencimento, a importância das relações e elos emocionais que a eles pertencem, e sobre o principal de tudo… o que faz de um lugar nosso lar?

O drama – por assim dizer – mescla atores e não atores em momentos ficcionais e não ficcionais, em uma explanação de tons e subtons que se aprofundam em sua temática através de diálogos afiados que apunhalam nossos conscientes e subconscientes, capazes de deixar cicatrizes em nossas almas. Com um olhar apurado e muito íntimo, Nomadland é lívido, tocante, expositivo e lírico; muito semelhante aos  belos sentimentos humanos, que aqui são esplendorosamente explorados e eternizados como a bela obra de arte que esta tão singela adaptação consegue ser.

CONFIRA TAMBÉM AS CRÍTICAS DE:

Judas e o Messias Negro

Bela Vingança

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