Mundo das Resenhas
As Mil Noites, E K Jonhston As Mil Noites, E K Jonhston
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela:... As Mil Noites, E K Jonhston

Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.

Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei…

*O Livro é uma adaptação da história “As mil e uma noites“.

Em uma terra cercada por areia, calor e magia, jovens bonitas são selecionadas para se casar com o rei, Lo-Melkhiin, mas, estranhamente, nenhuma das noivas consegue viver mais do que alguns dias, pois, sempre que se casa, as garotas aparecem mortas e jogadas no deserto.

Apesar de ser o rei, Lo-Melkhiin não pode pegar várias meninas de uma mesma aldeia, distrito ou vilarejo, por isso, organizaram uma rota de colheita, onde ele passa por todas as aldeias antes de retornar para uma já visitada.

“Aquela que ele escolhesse seria uma heroína. Ela permitiria que todas as outras vivessem. Lo-Melkhiin não voltaria à mesma aldeia até se casar com uma garota de cada acampamento, aldeia ou distrito dentro dos muros da cidade, porque essa era a lei, por mais desesperadora que fosse. Aquela que ele escolhesse daria esperança de um futuro, de amor, para as que ficassem para trás”.

E assim conhecemos nossa querida protagonista (não sabemos o nome dela, pois o único nome citado na história é o do rei). A caravana do rei se aproxima e ela sabe que, para proteger sua meia-irmã, precisará tomar medidas drásticas. A garota veste o dishdashab mais bonito, pinta seu corpo, usa adereços, também trança o cabelo e se coloca à frente das demais jovens, a fim de ser notada pelos soldados.

Levada então ao Qasar, a menina procura maneiras de se manter viva, mas o que ela não esperava, eram os acontecimentos estranhos que começa a presenciar, principalmente os que envolvem magia e um poder que ela nem sabia possuir.

“Lo-Melkhinn foi rápido e segurou minhas mãos antes que eu pudesse sequer pensar em me afastar. Era seu direito me tocar como desejasse, claro, então foi melhor assim. O contato de nossas peles criou um fogo de um tipo diferente. Quase podia vê-lo, fios dourados e azuis, areia e céu do deserto, sangrando do meu corpo para o dele, mas tinha ficado muito tempo sob o sol naquele dia e não confiava em meus olhos. Ele segurou minhas mãos por um segundo, depois cinco, depois dez. Um fio de cor cobre serpenteou dos dedos dele para os meus, tão suave que me perguntei se tinha imaginado tudo aquilo”.

O livro não é romântico, embora, a cada capítulo, a personagem se sinta mais próxima do rei, mas sim uma narrativa misteriosa. Acompanhamos esse terrível assassino que, por fazer o povo prosperar, não é condenado por matar suas esposas, ao mesmo tempo, memórias antigas nos mostram haver uma explicação para esse comportamento, principalmente porque, outrora, Lo-Melkhiin era gentil e amoroso.

As Mil Noites, E K Jonhston

A coragem e o foco da protagonista são detalhes louváveis na história. Ela sabe que vai morrer, mas enquanto isso não acontece, investiga e se aproxima de qualquer pessoa que possa lhe fornecer alguma informação em relação ao seu marido e o motivo pelo qual matou 300 jovens.

O poder desconhecido da garota também é algo que nos deixa curiosos, afinal, ela consegue acalmar o marido e não morrer, como se a luz acobreada que saísse de seu corpo alimentasse o monstro que vive dentro dele, ter visões de sua irmã e demais comportamentos considerados mágicos.

Um arrepio percorreu meu corpo, e as paredes pareciam se fechar ao meu redor. Já tinha visto a estranha energia fluir e refluir entre as mãos de Lo-Melkhiin e as minhas. Eu desconfiava de que minha inevitável morte não seria resultado de veneno, lâmina nem dos dedos dele esmagando minha traqueia. Havia algum poder em ação naquele quarto que eu não compreendia; algum deus menor da família de Lo-Melkhiin, ou talvez o demônio das histórias, atuando sobre nossos dedos entrelaçados”.

A leitura é rápida, fácil e envolvente, mas (na minha opinião) o final poderia ter sido escrito de maneira mais detalhada. Os acontecimentos são narrados tão rapidamente que, em determinado momento, você nem mesmo percebe o que está acontecendo e bam, o livro acabou.

“Eu experimentara o poder e o consumira até o fim, mas agora eu teria mais, de outro tipo”.

 

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Sthephanie Figueiredo

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