A Mulher na Janela | Netflix

******************************NÃO contém spoiler******************************

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O quão difícil é uma adaptação cinematográfica conseguir manter ou até mesmo elevar o nível de uma obra literária? Levando em consideração tal questionamento, já era de se esperar que uma versão áudio visual não fosse conseguir abordar com assertividade todas as camadas que compõem o thriller psicológico de A. J. Finn, o que não significa que tal versão seja de toda ruim. Bastante fiel – na medida do possível-  ao romance supracitado, A Mulher na Janela, o mais novo lançamento da gigante de Streaming Netflix, acerta e peca em diversões quesitos, quase que nas mesmas proporções.

Dirigido por Joe Wrightmesmo diretor de outras adaptações como Orgulho e Preconceito de 2005 – o suspense protagonizado por Amy Adams mergulha nas referências cinematográficas, trazendo à tona homenagens ao cinema clássico, em especial ao diretor Alfred Hitchcock, evidenciando-as desde o enquadramento da câmera, trilha sonora e colorização das cenas, sendo tais técnicas capazes de despertar sentimentos nostálgicos aos mais fissurados a sétima arte.

Com transcrições quase exatas do romance, A Mulher na Janela peca e sofre pela incompatibilidade de se adaptar certos elementos da obra original para sua nova versão, já que muitos dos artifícios literários não se encaixam de maneira orgânica com as cenas visuais apresentadas, causando estranhamento e potencializando as obviedades da obra, que em sua maioria soam esquisitas e estragam os plot-twists, deixando a experiência de assisti-las morna demais.

Contudo, a excelente trilha sonora e a atuação de Amy Adams conseguem nos entregar bons momentos e elevar o clima obscuro de diversas passagens e diálogos. O que infelizmente não se mantém quando nos deparamos com os demais atores do elenco, que ou entregam atuações mecânicas e caricatas ou simplesmente parecem não entender as dimensões de seus respectivos papéis. O que também coloca em evidência as oscilações do roteiro.

O primeiro ato do filme é agradável, fiel ao material o qual se baseia e possui um ritmo interessante, por assim dizer. O segundo ato é mediano, escorrega na concepção e execução  de alguns fatos, os deixando sem explicação ou abordando-os de maneira acelerada, o que empobrece tais situações. O terceiro e último ato, apesar de alguns momentos muito bons, derrapa ladeira abaixo ao entregar um ritmo desconexo do restante da narrativa, entregando desfechos e explicações que se atropelam, resultando em um final que se divide entre minutos excelentes e minutos desastrosos; com um desfecho sem sentido e extremamente raso.

No geral, A Mulher na Janela consegue entreter e entregar momentos que fazem valer a pena o tempo investido. Possui problemas quanto a montagem e roteirização do filme, mas consegue, apesar dos apesares, se manter em um nível mediano e razoalmente aceitável. Em meio aos turbilhões ao qual passou, tendo um processo de produção conturbado – repleto de refilmagens – A Mulher na Janela consegue não ser a tragédia a qual esperava. Inferior ao livro, mas ainda assim um filme que em minha percepção está longe do desastre defendido pela maioria.

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