Mundo das Resenhas
A Autobiografia de Martin Luther King: “Quando temos um sonho, devemos lutar por ele!” A Autobiografia de Martin Luther King: “Quando temos um sonho, devemos lutar por ele!”
O que é o racismo para você? Uma luta que deve ser encarada como exclusiva? Devemos responder agressões com agressões? O espaço de fala... A Autobiografia de Martin Luther King: “Quando temos um sonho, devemos lutar por ele!”

O que é o racismo para você? Uma luta que deve ser encarada como exclusiva? Devemos responder agressões com agressões? O espaço de fala deve ser unicamente dos negros? Diálogos devem ser limitados? Todas estas questões parecem possuir respostas óbvias. Mas você já parou para pensar que esta obviedade muitas vezes é alimentada pela sociedade de forma que o racismo permanece por vários motivos, sendo um deles a incapacidade da união através de diálogos expositivos e reflexivos? De um lado temos um grupo que foi oprimido de todas as formas e que muitas vezes utiliza de comportamentos que impossibilitam diálogos sem acusações. Do outro, um grupo que luta para calar as minorias e manter seus privilégios; comportamentos que também impossibilitam diálogos positivos. E nesta história toda, o progresso social caminha a passos lentos.

“A autobiografia de Martin Luther King”, lançada pela editora Zahar e organizada por Clayborne Carson, é um resumo em volume único de uma coleção autobiográfica sobre Martin Luther King composta por 14 volumes. Os textos expostos trazem discursos, cartas e intervenções que abordam as questões expostas no primeiro parágrafo desta resenha. O famoso líder norte-americano defendia sem medo de críticas que a luta contra o racismo deveria ser praticada tanto por negros quanto por brancos. Todos deveriam ter o direito tanto de falar quanto de ser ouvido. Parar para dialogar não diminui luta alguma. “A UNIÃO FAZ A FORÇA!” 

Como mudar uma situação ou fazer com que um grupo entenda e desenvolva empatia sem que haja diálogos? Influenciado por Mahatma Gandhi, Martin Luther King morreu defendendo uma luta sem violências. Ele afirmava que lutaria com unhas e dentes para que os negros fossem tratados de forma igualitária. Mas nunca alimentou uma visão míope, esquecendo que pobreza e violência também assolam os brancos e outras etnias. Generalizar e segregar um movimento sociopolítico não é a solução pra nada.

A cada página que lia, minha admiração por King só aumentava. Conforme avançava na leitura sentia em minha alma a força de tudo que absorvia, como um soco no estômago, repleto de verdades que mascaramos ou tentamos mascarar todos os dias. Assim como Mia Couto em “E se Obama fosse Africano?”, Martin Luther King não tem medo de criticar os negros quando necessário. Muitos comportamentos agressivos são justificáveis se levarmos em conta toda uma questão histórica de opressão. Mas tais comportamentos não devem ser vistos como aceitáveis. Diálogos e ações pacifistas devem ser encarados como os caminhos a serem seguidos, mesmo que o percurso seja árduo.

“Os que tornam impossível a revolução pacífica, tornam inevitável a revolução violenta.”

“O que precisamos hoje em dia no mundo é de um grupo de homens e mulheres que defendam o que é certo e se oponham ao que é errado, onde quer que seja. Um grupo de pessoas que tenham percebido que algumas coisas são erradas, ainda que jamais tenham acontecido com elas. Algumas coisas são certas, quer alguém veja você fazendo-as ou não.”

É uma autobiografia magnífica de um homem magnífico. Um homem que lutou sem fazer pré-julgamentos, sem julgar aqueles que erravam e sem perpetuar a violência. Um homem que sabia da importância da união, da tolerância, do respeito e da paz. É um livro que todos deveriam ler. Em momentos tão complicados onde os diálogos (independentemente de quais sejam os assuntos) vem se tornando cada vez mais escassos, ler este livro é complicado e esclarecedor ao mesmo tempo.  Indico sem medo de errar, pois as palavras deste líder podem abrir seus olhos para muitos assuntos, assim como fez com os meus.

“Não terei dinheiro para deixar de herança. Não terei as coisas finas e luxuosas da vida para deixar como legado. Mas só quero deixar de herança uma vida de dedicação. […] então minha vida não terá sido em vão.”

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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