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Escrita / Enredo 4
Originalidade 3
Personagens 4
Final 3

******************************NÃO contém spoiler****************************** “Poder jamais foi conquistado sem sangue, ambições jamais foram realizadas sem sacrifícios. ” Um reino, uma rainha e uma imperatriz. Uma disputa de poderes e uma tempestade de flechas que despencam do céu e alimentam o solo com sangue de quem guerreia; fazendo surgir um mar de sangue que aclama mais e ..

Summary 3.8 Ótimo
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A Rainha do Fogo: Uma brasa que não virou fogo

******************************NÃO contém spoiler******************************

“Poder jamais foi conquistado sem sangue, ambições jamais foram realizadas sem sacrifícios. ”

Um reino, uma rainha e uma imperatriz. Uma disputa de poderes e uma tempestade de flechas que despencam do céu e alimentam o solo com sangue de quem guerreia; fazendo surgir um mar de sangue que aclama mais e mais por sofrimento e pelo líquido escarlate que lhe dá vida e impulsiona a guerra que ambos os lados querem vencer. Feridas a serem curadas, segredos a serem revelados, poderes a serem utilizados e planos a serem arquitetados. Uma jornada onde o fim da linha, pode não ser o fim de nada. Pode ser o fim daquilo que proporciona o sofrimento de quem não tem como lutar ou pode ser o começo de uma nova tirania. O que exatamente significa justiça? Como lutar contra aquilo que todos nós ansiamos? O poder pode corromper até aqueles que se dizem defensores dos fracos e oprimidos. Um risco a ser tomado. Um risco a ser analisado.

A Rainha do Fogo encerra a trilogia A Sombra do Corvo. Uma trilogia política onde a fé ocupa espaço crucial na trama e alimenta o espírito daqueles que se negam a deixar de acreditar. Um livro que entrega as tão esperadas respostas que os leitores tanto ansiavam em obter. Mas o fim da jornada é satisfatório?

Não sou um fã incondicional desta trilogia, mas aprecio com vigor a capacidade narrativa de Anthony Ryan. Suas escolhas de palavras, suas descrições minuciosas, seu sistema de magia e seus personagens me encantam. Tudo muito bem construído e tudo muito verossímil, dentro do permitido para um livro de fantasia. Entretanto, é incontestável, pelo menos para mim, que sua escrita e sua narrativa possuem um conflito significativo e muitas vezes problemático. A Canção do Sangue, a obra que todos amam, me agrada ao mesmo tempo que me dá sono. Um livro muito bom, mas que muitas vezes se arrasta através de diálogos infinitos que parecem não chegar a lugar nenhum. O Senhor da Torre, o segundo volume, eleva o nível da trilogia a um novo patamar. Um livro representativo, frenético, sanguinário e surpreendente. Já A Rainha do Fogo, o tão aguardado desfecho, opta por seguir no mesmo ritmo do primogênito. Uma obra extremamente bem escrita, mas muito lenta quase em sua totalidade. Uma pirâmide que não se sustenta por sua inconsistência.

O desenvolvimento é bom, mas as coisas demoram demais para acontecer. Vaelin Al Sorna, o até então protagonista, abre espaço para que a força feminina tome conta da trama e encante ambos os públicos. Tanto os aficionados por mulheres empoderadas, quanto para os fãs de personagens masculinos decididos, brutais e fortes. Um bom equilíbrio. Mas ainda assim, não sei o que aconteceu. Não senti tanto apego assim pelas personagens femininas como senti quando li o segundo volume. Minha paixão e veneração pelas mesmas se perdeu pelo meio do caminho. Caminho este, que se questionado não saberia indicar. Não sei de fato em que momento isso aconteceu. Tampouco senti enormes apreços pelos masculinos.

Ainda gosto muito de como o autor trabalha questões feministas e de como ele insere representativa de maneira a não banalizar nada e nem vulgarizar aquelas que são constantemente objetificadas e inferiorizadas no meio literário (em todos os meios na verdade). Mas a questão é… A sororidade existe em A Rainha do Fogo, mas para mim, ela está presente de maneira muito obscura. Não sei se consigo me fazer entender, mas a união entre as mulheres ocorre, ao mesmo tempo que existe uma barreira entre elas. Queria ter visto uma união feminina mais liberal, sem muitas amarras, como vi em O Senhor da Torre.

“— Eu não sou sua irmã! — gritou ela para a imperatriz, atraindo um olhar arregalado. — Você nunca teve nada além de medo e desejo porque isso é tudo que você é. Apenas uma louca que viveu tempo demais.

— Louca? — A imperatriz recuperou o humor e abaixou um pouco a espada ao rir. — O que você acha que o mundo é, se não um desfile interminável de loucura? Guerrear é loucura. Buscar poder é loucura. — Ela gargalhou mais alto e abriu os braços. — E a loucura é gloriosa! ”

Os vilões são bons e as explicações apresentadas pelo autor, não me incomodaram. Achei boas em suas devidas proporções. Todavia, o desfecho é que é o problema. Ou melhor… os desfechos. AH ESSES DESFECHOS!! Foi uma jornada interessante composta exatamente por 2.096 páginas. Mas foi uma jornada que resultou em um final bem anticlimático. Finais de personagens que me soaram corridos, frios e sem força narrativa alguma. Com um desfecho geral nada mais que apenas Ok. Os finais dos mocinhos são fracos, mas os dos vilões conseguem ser ainda piores. Já dizia o Chaves: “Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé. ”

Comparar esta trilogia com as aclamadas séries A Roda do Tempo e As Crônicas de Gelo e Fogo, é para mim uma blasfêmia. Elas são como incêndios incontroláveis que dominam quem as lê. Já a série A Sombra do Corvo foi pra mim uma chama que se apagou com os ventos tortuosos conjurados pelo próprio autor. Nada tão negativo, mas ele prometeu e no final senti que não cumpriu. Senti que nadei, nadei, nadei e não morri na praia. Mas cheguei exausto, me sentindo letárgico e desanimado. Um autor que seguirei lendo, mas desta vez, com as expectativas mais que baixas, para que ele tenha maiores chances de me conquistar por completo de maneira que eu não só termine satisfeito, mas também com sorriso no rosto.

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