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******************************NÃO contém spoiler****************************** Autor: Steven Erikson Editora Arqueiro  / Gênero: Fantasia Adulta / Idioma: Português  Jardins da Lua: 608 páginas / Os Portais da Casa dos Mortos: 816 páginas No meio de deuses manipuladores que caminham entre os mortais, intrigas políticas, guerras infinitas e um turbilhão de acontecimentos a primeira vista inexplicáveis e sem sentido, ..

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Jardins da Lua & Os Portais da Casa dos Mortos: Vale a pena a leitura? #15

******************************NÃO contém spoiler******************************

Autor: Steven Erikson

Editora Arqueiro  / Gênero: Fantasia Adulta / Idioma: Português 

Jardins da Lua: 608 páginas / Os Portais da Casa dos Mortos: 816 páginas

No meio de deuses manipuladores que caminham entre os mortais, intrigas políticas, guerras infinitas e um turbilhão de acontecimentos a primeira vista inexplicáveis e sem sentido, a série O Livro Caído dos Malazanos realmente não é para leitores preguiçosos; como o próprio autor faz questão de frisar no prefácio de Jardins da Lua, o primeiro volume de uma série composta por dez livros. Talvez você o considere arrogante e ria ao ler o texto de apresentação da obra, achando que o autor enaltece seu próprio texto como um deus intocável e superior ao meros mortais que se propõe a lê-lo. A verdade é que tanto Jardins da Lua quanto sua continuação – Os Portais da Casa dos Mortos – se encontram de fato em outro patamar, se comparados com outras grandes histórias de fantasia adulta que encontramos no mercado editorial. Como leitor assíduo do gênero supracitado, posso afirmar que a complexidade da escrita e da estrutura narrativa dos romances fantásticos de Erikson me pegaram de surpresa ao mesmo tempo que me fascinaram. Gosto de leituras desafiadoras e complexas que me desafiam a terminá-las e entendê-las.

Não espere começar Jardins da Lua achando que entenderá tudo de primeira e que não precisará consultar o gigantesco glossário que antecede o início narrativo. Como leitores, somos jogados no meio de uma guerra de mortais contra mortais, onde deuses parecem fazer parte, e onde personagens vão surgindo sem que o autor tenha a mínima preocupação em nos contextualizar. Quem está guerreando contra quem? Qual o motivo de tal guerra e quem são os milhares de personagens que vão surgindo de maneiras abruptas? Claro que tudo vai fazendo mais sentido conforme vamos avançando na leitura. Mas mesmo com o iminente avanço, nem tudo fará sentido.

Indo contra a consciência lógica e padronizada das fantasias, Steven Erikson foge das “mediocridades” do gênero, nos desafiando como leitores. É como se ele risse e gritasse em nossas caras enquanto criava seu mundo e seus personagens. “Se considera leitor de fantasia e entendedor do gênero? Se sente capaz de ler uma obra complexa? Então te desafio a ler a minha até o final. Te dou um prêmio se não abandonar antes de chegar na metade.” Abri Jardins da Lua com um sorriso no rosto e pensei: “Ok Erikson! Desafio aceito.” Me vi mergulhado em contextos complexos, como alguém tentando montar um quebra-cabeça de mais de 1.000 peças, onde cada linha precisava ser decifrada. Apesar da dificuldade, tudo me deixou fascinado e embasbacado com a epicidade da história. Ir conhecendo aos poucos o Império Malazano, seus moradores e políticos, as intrigas, os milhares de exércitos em guerra e os poderosos deuses, me fizeram desejar por mais obras como essa. O sistema de magia é inovador e os personagens são incríveis, desde os que caminham em solo mortal, até os que vivem em outras dimensões ou em astros, como Anomander Rake, o senhor da Lua; o homem de longos cabelos brancos e portador de uma poderosa espada.

Fonte: (https://leitoresvigaristas.wordpress.com/

O primeiro volume – Jardins da Lua – se foca na luta dos rebeldes contra o governo atual, enquanto manipulações divinas acontecem e onde nem tudo é o que parece ser. O segundo volume – Os Portais da Casa dos Mortos – se foca em novos personagens, deixando de lado os protagonistas do livro antecessor; expandindo o universo, apresentando novos continentes e indo a fundo na mitologia dos deuses apresentados anteriormente. Tudo épico e cheio de descrições e batalhas de deixar qualquer um de queixo caído. Os personagens parecem saltar das páginas e alguns chegam a dar medo devido suas descrições minuciosas. Os diálogos são ácidos e muito bem escritos e estruturados. Gostaria de dizer que as pessoas exageram e que os livros são fáceis de serem lidos e entendidos; mas não posso mentir. Se tem algo que os romances não são, é fáceis.

“Ao lerem Jardins da Lua, as pessoas vão odiar ou amar meu trabalho. Não há meio-termo. é claro que eu preferiria que todo mundo amasse, mas entendo que jamais será assim. Os livros dessa série não são para leitores preguiçosos. Não é possível apenas passar por eles. Para piorar, o primeiro romance começa no meio do que parece uma maratona: ou você entra correndo e consegue se manter em pé, ou então fica para trás. – Steven Erikson

Criado inicialmente por Erikson e Ian C. Esslemont como um jogo de RPG, o mundo Malazano é constituído por diversas séries, algumas escritas pelo autor de Jardins da Lua e outras por Esslemont, mas todas canônicas e todas complementares. Antes de se tornar um clássico da fantasia no mundo literário, a ideia era que fosse um filme épico no mesmo nível de O Senhor dos Anéis; ideia rejeitada pelos produtores de cinema por acharem uma ideia muito cara para se investir na época. Agradeço os mesmos por tal rejeição, pois são obras como essas que fazem muitos críticos se calarem ou serem desvalidados quando tentam a todo custo rebaixar e intitular fantasia como subgênero literário.

Se deve ou não ler Jardins da Lua e Os Portais da Casa dos Mortos, não sei dizer. Talvez tudo dependa do tipo de leitor que você é ou que deseja se tornar. Eu sou do tipo que adora um desafio e que se nega a ser vencido pela obra ou pelo autor. independente do gênero que decida ler. Importante frisar que pela dificuldade já mencionada, a série sofreu rejeição por aqui e foi alvo de diversas críticas, já que muitos leitores afirmaram que ela é complexa demais. Muitos abandonaram o primeiro volume logo no início, o que impactou as vendas do segundo. Resultado: A série foi interrompida no Brasil e não será mais publicada por aqui. Seria o Brasil um país repleto de leitores preguiçosos que preferem obras mais fáceis de serem assimiladas? Deixo a resposta por conta de vocês.

O mundo dos malazanos é épico, ambicioso, complexo e intrigante. Se decidir ler, lembre-se dos avisos aqui expostos. Como estar em um barco prestes a enfrentar uma tempestade, ler Steven Erikson é um mais que um simples desafio, é algo a ser encarado como uma guerra. De um lado você como leitor. Do outro, Erikson, o escritor. Dependerá de você quem vencerá. Ainda tenho mais 8 volumes para ler (que terei que ler no original), mas não tenho dúvidas de quem vencerá. Se fugir da mediocridade e escrever algo mais que épico era o objetivo de Steven Erikson, tiro o chapéu pra ele. Ele alcançou tal objetivo com maestria.

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