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Literatura Homoerótica Latina: Critérios para definição

(CONFIRA A RESENHA DE DOM CASMURRO CLICANDO AQUI)

E-book gratuito na Amazon

Autor: Carlos de Miguel Mora

Editora: INDEX ebooks / Gênero: Teórico e artigo / 70 páginas

O que define uma obra como sendo de cunho homoerótico? Levando em consideração todo o contexto sócio-político em que estamos inseridos atualmente, responder tal indagação pode não passar de algo simplório que nada tem a acrescentar em nossas vidas literárias. Mas garanto que tal análise de nada tem de simples e rasa e pode sim influenciar de forma mais que profunda em nossa compreensão acerca do que lemos.

Durante minha formação como leitor, e principalmente como leitor crítico, sempre acompanhei o homoerotismo renegado como sub-literatura, como aspectos inseridos nas narrativas satíricas, como narrativas eróticas ou apenas como um aspecto que deveria ser eliminado, já que poderia desvirtuar os jovens levando-os a uma vida de pecados. Sendo assim, o assunto abordado nessa resenha passou ao longo dos anos de elemento essencial da literatura clássica greco-romana para a mina de ouro da literatura YA, encarada (erroneamente) como algo que jamais poderia ser vista como arte expressiva utilizada para abordar assuntos sociais que poderiam contribuir para a formação de jovens conscientes e mais humanos.

Meu interesse em tentar entender melhor a evolução de tal assunto no meio literário se deu após minha leitura de algumas obras significativas para a formação da literatura chamada de clássica. Tudo muda (ou não) quando o homoerotismo ganha um protagonismo enigmático e passa a ser encontrado em obras de peso como em Otelo de William Shakespeare ou em Dom Casmurro de Machado de Assis. Sendo teorias ou não, leitores, críticos e estudiosos defendem que o homoerotismo ganha maiores proporções quando inserido (mesmo que de forma subliminar) em obras de peso como as citadas. Negar tais possibilidades não apenas traz a tona sua negação persistente em não aceitar tal possibilidade por puro preconceito ou apenas por pressão social, como ocasiona uma ruptura em sua concepção como leitor analítico, impactando dessa forma em sua possível compreensão total da obra.

Conforme citado em Literatura Homoerótica Latina de Carlos de Miguel Mora:

“É lugar comum pensar que a literatura latina é não só abundante em homoerotismo, mas também aberta, ao contrário da literatura ocidental pós-cristã que foi, até há pouco, muito hermética neste aspecto, ocultando as sugestões de homoerotismo sob o véu do disfarce.”

A citação acima demonstra com clareza que mesmo que as proporções e os debates se tornem mais acaloradas e tragam mais peso quando abordadas em torno de clássicos como Dom Casmurro, Otelo, O Nome da Rosa entre outros, ele sempre aparece de forma disfarçada, e nos dois primeiros exemplos levam personagens a “loucura” ao mesmo tempo que abordam a critica quanto a questão da pressão social, se levarmos em conta o período em que tais obras foram escritas.

Se preocupar em tentar entender tal elemento literário é importantíssimo para nos tornarmos leitores mais atentos aos pilares subliminares utilizados por alguns autores, principalmente no que tange a sexualidade de personagens, já que tal assunto foi e ainda é visto como tabu. A obra de Mora se foca bastante no desenvolvimento literário latino, mostrando que sexualidade homoafetiva não passa muito mais de visões culturais e sociais do que uma mera questão de gêneros biológicos. Tal leitura reforçou minha convicção de que literatura é um mar cheio de ondas que muito desejo desbravar até o fim dos tempos. Literatura Homoerótica não passa de um termo onde muitos amam criticar, mas que poucos de fato entendem do que se trata.

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