Mundo das Resenhas
Conto: Não Entre! Conto: Não Entre!

Conto: Não Entre!

Contos 28 de abril de 2021 Wesley 1

Bianca é uma garota pobre, que vem de uma família humilde do nordeste do país. Sua mãe Eva conseguiu um serviço de empregada doméstica em... Conto: Não Entre!

Conto: Não Entre!
Autores: Jaíne Belmonte, Wesley Belmonte
Data de Publicação: 31 Agosto de 2015
Curiosidades: Esse conto foi publicado no Wattpad, com o nome A Porta Oculta, mas que acabou tendo o nome trocado para Não Entre, para fazer mais sentido para a história.

 

SINOPSE:

Bianca é uma garota pobre, que vem de uma família humilde do nordeste do país.

Sua mãe Eva conseguiu um serviço de empregada doméstica em uma casa de um médico rico. Eva, por não ter com quem deixar a pequena Bianca, decidiu levá-la para o trabalho.

Até que, certo dia, em uma de suas brincadeiras, a garotinha encontra uma porta, por onde é proibida de entrar, mas a menina não obedece a ordem de sua mãe e começa a explorar esse cômodo que, para segurança de todos, deve permanecer na escuridão.

CONTO: NÃO ENTRE!

CAPÍTULO 1

Eva folheava as páginas de um jornal de empregos sentada na mesa da cozinha sob a luz forte e amarelada da lâmpada. Ela sabia que não tinha muitas opções de vagas para o seu perfil profissional, havia saído da escola ainda na quarta série para ajudar a mãe com a casa e seus irmãos mais novos, assim, a opção que lhe era mais viável era a de empregada doméstica.

Eva era uma mulher de 34 anos muito sofrida, pele acobreada, cabelos curtos e encaracolados. Apesar da pouca idade, já apresentava rugas ao redor dos olhos, o que lhe dava uma aparência envelhecida. Acabara de sair do nordeste e chegado a São Paulo na companhia de sua filha de seis anos. Acreditava que nessa cidade grande poderia dar à garotinha um futuro e melhores oportunidades.

Passou pelo primeiro anúncio, um homem viúvo, sem filhos, procurava uma doméstica para atuar em sua casa de segunda a sábado, para lavar, passar e preparar as refeições. A jornada de trabalho era a combinar. Rapidamente, Eva pulou aquele anúncio. Um homem viúvo, aparentemente sem ninguém… Quem garantiria que ele não tentaria alguma coisa com ela? De jeito nenhum, não iria se arriscar. Passou para os outros anúncios. Todos eram de famílias que procuravam alguém para cozinhar, limpar, cuidar das crianças e estar no local 24 horas por dia, com uma folga aos domingos.

Eva fitou Bianca, sua filha, que estava brincando no chão ao lado da mesa. A menina era uma réplica do pai em miniatura, pele escura, cabelos curtos e ondulados e olhos escuros. Lembrou-se que não teria com quem deixar a menina no horário em que ela não estivesse na escola. Ela já estava vivendo de favor na casa da prima, enquanto não arrumava emprego para poder pagar um aluguel, não queria ter que pedir para a mulher ser babá da sua filha também. Relutante, voltou ao primeiro anúncio que havia lido (o do homem viúvo) anotou na palma de sua mão o número que lá constava e foi ao orelhão que havia na esquina da rua.

A casa da prima de Eva ficava num subúrbio de São Paulo, um local onde se via sobrados bonitos e bem acabados dividindo a vizinhança com barracos feios e desestruturados. Enquanto seguia para o orelhão segurando a mão de Bianca, que era uma garotinha muito observadora, ouviu a menina lhe perguntar:

– Mamãe, por que aqui tem casas mais bonitas que as outras?

– Porque algumas pessoas têm mais dinheiro que as outras, meu bem.

– Mas por que mamãe? O papai do céu não gosta de todo mundo do mesmo jeito?

– Sim Bia, ele ama todos da mesma maneira.

Bianca estava na fase dos “porquês”, era preciso paciência e um belo jogo de cintura. Isso não era nada comparado ao dia que a menina perguntou de onde vinham os bebês.

Chegaram ao orelhão. Eva colocou o cartão telefônico no local indicado e discou o número. Enquanto a linha chamava, Bianca continuava com suas perguntas:

– Mamãe, quando você “ir” trabalhar, compra uma boneca nova? A dona Lili disse que quer ter uma irmãzinha. 

Dona Lili era o nome da única boneca que Bianca possuía e isso partia o coração de Eva. O brinquedo já estava totalmente maltratado e ela não tinha condições de comprar outro para filha, mas ela arrumaria um emprego e isso logo mudaria.

– Sim, ainda esse mês, vamos à loja para comprar uma boneca linda para você!

Bianca saltitou, demonstrando a mais pura felicidade.

– Não vejo a hora de ganhar minha boneca nova, mamãe!

A linha parou de chamar e alguém do outro lado atendeu.

 

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CAPÍTULO 2

Eva estava muito feliz, pois tinha marcado a entrevista e tudo tinha ocorrido perfeitamente. O senhor Ramirez era muito respeitável e estritamente profissional.

Eles conversaram por algumas horas, ele perguntou muito sobre a vida dela e os planos que ela tinha para o futuro. Eva respondeu com toda a sinceridade que possuía, além de não gostar de mentiras, ela sabia que se mentisse ele poderia saber e assim não contratá-la.

Ramirez falou um pouco sobre a vida dele, mas nada que fosse além do que uma empregada deveria saber. Ele contou que perdera a esposa havia algum tempo, devido a uma parada cardíaca fulminante. Ele não tinha filhos, o que ficava mais fácil para ela, pois não teria tantos problemas para levar a pequena Bianca para o serviço.

No final da entrevista, Eva já estava contratada. Seria registrada com todos os benefícios que a lei permitia. Além disso, ele permitiu que ela levasse a filha para o trabalho, desde que ela não atrapalhasse o serviço dela e nem o incomodasse enquanto estivesse em casa. No entanto, Ramirez frisou muito que gostava de privacidade e que as portas trancadas não deveriam ser abertas, somente as portas sem chave ficariam a disposição de seus serviços.

⊛ ⊛ ⊛

Eva já estava trabalhando há mais de uma semana, tudo estava indo muito bem. Ela deixava Bianca na escola pontualmente às 7:00 da manhã e seguia para o trabalho. Felizmente, a escola ficava a 20 minutos da casa de Ramirez, o que tornava tudo mais fácil, assim ela podia fazer o percurso a pé de lá para o serviço, assim ela acabava por pegar apenas dois ônibus, um da casa da prima à escola e o outro do serviço de volta pra casa. Ao meio dia buscava a menina na escola e permanecia na casa até às 18:00. Bianca gostava da rotina de caminhar até o trabalho da mãe, ela sempre afirmava:

– Andar faz bem pro nosso coração, mamãe!

 O patrão dela mal ficava em casa, ele era médico plantonista de um hospital particular muito conhecido e quando os plantões dele eram durante o dia, ela sequer o via.

Normalmente Bianca ficava na sala de estar assistindo televisão, com a programação de um canal infantil de uma rede fechada – onde ela aprendera que andar faz bem para o coração –, a garota parecia um anjo assistindo alguns desenhos que jamais sonhou que existiam.

Sua mãe preparava o almoço que o patrão tinha lhe pedido, pois naquele dia ele almoçaria em casa, enquanto Bianca puxava a saia de sua mãe, tentando lhe chamar a atenção.

– Diga querida.

– Mamãe, eu posso ir na piscina?

– Não filha, você não sabe nadar. – Enquanto respondia ao pedido impossível de sua filha, ela desligava o arroz de forno que já estava no ponto.

– Mas a senhora me ensina né, mamãe?

– Olha querida, eu já disse que na piscina você não podia entrar. Você se lembra? 

Eva tentava convencê-la de que esse era um pedido que não poderia ser realizado. A mãe estava se arrependendo de ter dito à filha que ela não poderia entrar na água, pois sempre que dizia para a filha que algo não podia ser feito, a menina ficava muito curiosa. Talvez isso fosse coisa de criança.

Bianca sentou-se na cadeira da mesa e ficou lá sem falar nada, cabisbaixa.

– Filha, por que não volta a assistir os desenhos?

Eva tentava se comunicar com a filha, que não respondia. Ela supôs que Bianca estivesse chorando, mas algo a trouxe de volta, a porta se fechou e Ramirez entrou.

– Olá, boa tarde, Eva.

– Boa tarde, senhor Ramirez.

Ramirez vestia uma camisa social e calça brancas. Era um senhor de uns quarenta anos, mas tinha uma aparência mais jovem. Seus cabelos eram pretos, lisos e bem aparados. Sua pele branca tinha poucas, ou mesmo quase nenhuma ruga. Ele nem parecia um viúvo.

– Olá – ele se aproximou de Bianca. – Qual o seu nome? – Perguntou, pois era a primeira vez que ele via a garotinha tímida que estava escondendo o rosto atrás dos braços.

– Bia, dá um oi para o senhor Ramirez. Seja educada.

Bianca limpou os olhos e estendeu a mão para ele.

– Oi…

– Nossa, por que você está triste? Você pode me contar?

Bianca balançou a cabeça negativamente.

Ramirez colocou a mão no queixo de Bianca e levantou o rosto dela.

– Nossa, você daria uma linda boneca, sabia?!

As palavras dele refletiram nela rapidamente, o que fez a garotinha abrir um largo sorriso no mesmo instante.

– Obrigada! – Agradeceu a garota.

E um sorriso de satisfação tomou conta do rosto de Ramirez, que possuía os dentes mais brancos que Eva já vira na vida.

Eva tirou as panelas do fogão e colocou sobre a mesa. Tinha terminado de preparar a comida na hora exata.

– Está pronto o almoço. – Ela anunciou.

– Obrigado, Eva. Já volto para almoçar.

E ele subiu as escadas, direto para o segundo da casa.

 

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CAPÍTULO 3

A casa do patrão de Eva era maravilhosa, não chegava a ser uma mansão, mas era modestamente luxuosa. Toda a propriedade era rodeada por um muro alto e com cerca elétrica no topo, com algumas câmeras de segurança discretamente instaladas no alto do portão preto automático, que era a entrada da propriedade. A garagem/quintal era tomada por um gramado, que lembrava casas de campo, o caminho por onde o carro passava em direção à área coberta da garagem tinha se tornado duas trilhas. A casa possuía dois andares. No andar térreo ficava a cozinha, a sala de estar e um escritório com prateleiras de livros circundando todas as paredes que davam a impressão que a qualquer momento se abririam, guiando para um mundo secreto. As escadas levavam para o segundo andar, onde ao longo da extensão de um corredor enorme tinha quatro quartos, em dois deles, tinham banheiros e os outros dois, que se encontravam no fim do corredor, sempre estavam trancados na chave. A lavanderia ficava na área externa da casa e nos fundos da propriedade, ficava a tentação de Bianca, uma piscina que estava coberta por uma lona e não parecia ser usada há algum tempo.

      Aquele dia estava nublado e frio, Bianca se encontrava encolhida no sofá de couro da sala com um pequeno cobertor rosa que a mãe trouxera de casa. Ramirez havia deixado uma pequena lista de compras e uma quantia em dinheiro para que Eva comprasse determinados mantimentos. Eva desconfiava que aquilo era algum tipo de teste, já que ele deixara uma quantia bem maior do que a necessária para comprar tão poucas coisas. Ele certamente estava testando a honestidade dela. Fitou a garoa que escorria em pequenos pingos do céu e olhou para Bianca dormindo. Não tinha necessidade de levá-la ao mercado, afinal, ele se encontrava a poucas quadras dali e parecia crueldade retirar a menina de debaixo das cobertas.

      – Bia… Bia… – chamou Eva abaixada ao lado da menina que entreabriu os olhos com uma expressão de sonolência. – Vou ir ao mercado e logo eu volto, você fica bem aqui sozinha?

      – Sim mamãe, mas deixe a televisão ligada, tá bom?

      Eva assentiu, ligou a tevê, pegou a sombrinha e se dirigiu ao mercado, andando apressadamente até lá.

      Crianças são inquietas, curiosas e aprontam de tudo quando são deixadas sozinhas. Com Bianca não era diferente. Algum tempo depois que sua mãe já tinha saído, enjoou dos desenhos e decidiu brincar; ela pegou sua boneca que estava debaixo dos cobertores com ela e disse:

      – Dona Lili, vamos brincar de exploradoras?

      E seguiu pela casa, fingindo estar numa floresta e observando atentamente todos os cantos da casa. Subiu para o segundo andar e entrou no quarto de Ramirez, a cama de casal dele era enorme, Bianca subiu e começou a pular, segurando a boneca nos braços e fingindo que ela pulava junto com ela. Depois de alguns minutos, desceu e colocou o indicador nos lábios, como pedindo para a boneca fazer silêncio.

      – Vamos arrumar a cama pro moço não ficar bravo, né Dona Lili?

      Depois de arrumar a cama do jeito que ela pôde, seguiu explorando o resto do corredor. O segundo quarto também tinha uma cama de casal enorme, mas nesse Bianca não se interessou em pular. A janela do quarto estava aberta e um vento frio entrava por ela, o que fez Bianca rapidamente deixar o cômodo.

      Seguiu para o terceiro quarto. A porta estava fechada. Foi até o último quarto do corredor e a porta também se encontrava fechada. Imitando a cena que vira em um filme infantil, colocou um dos olhos no buraco da fechadura e espiou. Concluiu que o filme que vira era mentiroso, porque ela não conseguira ver absolutamente nada por aquela fresta, ao contrário do filme onde a personagem conseguira ver tudo o que tinha do outro lado.

      Abaixou-se e tentou olhar por baixo da porta, quando ouviu um barulho, bem baixo e arrastado, parecendo o gemido de um zumbi. Bianca tinha certeza que o barulho vinha de dentro daquele quarto.

      – Você ouviu isso? – Perguntou a menina para a boneca. – Será que aquele moço tem algum bichinho aqui dentro?

      Tentou girar a maçaneta, mas a porta estava trancada. Abaixou-se e tentou olhar novamente por baixo da porta.

      – Ei, o que você está fazendo aí?

      Bianca levou um susto e se levantou em um pulo ao ouvir a voz da mãe, do outro lado do corredor.

      – Eu ouvi um barulho mamãe e veio daqui deste quarto… Queria saber o que era.

      – O senhor Ramirez não quer que ninguém entre aí, eu já não te falei isso, Bia?

      – Desculpe mamãe.

      Bianca foi em direção à mãe e a abraçou, pedindo-lhe desculpas. A mãe desculpou e a repreendeu pedindo para que ela não voltasse a tentar mexer naqueles dois quartos. Mas era tarde demais. Agora, a curiosidade da menina já havia sido atiçada.

 

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CAPÍTULO 4

ESSE CAPÍTULO ENCONTRA-SE EM REVISÃO, VOLTE NO DIA 05/05/2021 PARA CONTINUAR A SUA LEITURA 😉

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Wesley

Formado em Letras, fascinado pelos livros de Harlan Coben e também escreveu alguns livros, como Sobrevientes do Apocalipse, A Porta Oculta e Sete Almas

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