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O Legado de Júpiter e Círculo de Júpiter – Mark Millar | Vale a pena a leitura? #25 O Legado de Júpiter e Círculo de Júpiter – Mark Millar | Vale a pena a leitura? #25
3.5
********************************NÃO contém spoiler******************************** CONFIRA A CRÍTICA E RESENHA DE THE BOYS – SÉRIE E HQs(1ª TEMPORADA) CLICANDO AQUI *** Com a chegada em um... O Legado de Júpiter e Círculo de Júpiter – Mark Millar | Vale a pena a leitura? #25

********************************NÃO contém spoiler********************************

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Com a chegada em um futuro próximo da série live-action de Legado de Júpiter pela Netflix, muitos se questionam se essa não será a The Boys da Netflix, o contra-ataque da gigante de streaming contra a rival Amazon Prime. Mais uma série de super-heróis que promete agradar ao fãs do gênero e aos desavisados do rolê; que possui uma temática já bastante conhecida, mas que se bem trabalhada promete ser mais um acerto da criadora de Stranger Things. Contudo, a criação de Mark Millar navega por caminhos mais suaves e equilibrados se analisarmos e compararmos ambas as obras. Enquanto em The Boys lidamos com super-heróis que subvertem a lógica heróica e representam um lado sanguinário, egocêntrico e distorcido dos heróis – onde questões midiáticas e sexuais tomam grandes proporções da trama – em O Legado de Júpiter temos uma pegada e discussões mais filosóficas, misteriosas e aprazíveis sobre conflitos de gerações, o impacto dos heróis na sociedade (principalmente no que tange questões políticas) e sobre as consequencias de nossas ações como um todo, sejam elas atuais ou do passado.

Com uma narrativa que apresenta um grupo de humanos que durante a descoberta e exploração de uma ilha adquirem super-poderes, vemos através de um salto no tempo a pressão que os novos heróis sofrem em tentarem ou não carregar o legados dos pais; os famosos heróis que juntos ajudaram a  manter a paz na sociedade e a criar um mundo melhor para se viver. Com diversas referências a personagens como Superman e Darkseid, Millar nos entrega uma trama necessária sobre o peso de sermos quem somos e de quem queremos ser. O Legado de Júpiter, o arco formado por duas graphic novels de 136 páginas cada uma, toma para si a responsabilidade de apresentar uma trama de heróis, anti-heróis e vilões que moldam o mundo a seu bel-prazer, seja através do bom exemplo ou por vias tortas como o ditadorismo. Não temos tempo para nos apreciarmos com mais vigor as camadas que os tornam heróis; pois aqui, temos personagens que brincam com esta lógica e levantam dúvidas no leitor. Mark Miller cria um enredo que joga muitos elementos na narrativa sem necessariamente trabalhar cada um deles com profundidade; o que pode acarretar em uma sensação de uma trama divertida, mas linear e simples demais em sua composição.

Cada personagem exece com afinco – quase sem nos deixar na dúvida – o papel que foram criados para exercerem. Os mocinhos são mocinhos e os vilões são vilões; não há dúvida para quem devemos torcer e a trama é bastante óbvia. Trata-se de uma jornada em que o desfecho já sabemos muito antes que ele ocorra. A graça de O Legado de Júpiter é exatamente essa, torcermos e lermos na pressa de chegarmos no momento em que os caras maus terão o que merecem. As amizades entre os heróis e alguns conflitos psicológicos que os formam são apenas alguns pilares (as vezes frágeis demais) que ajudam no caminhar da trama e nada mais além disso. Algumas cenas chocam pela brutalidade, mas nada que irá deixar amortecido os leitores e fãs de The Boys. Os personagens são bacanas e possuem carisma, o que deixa a leitura leve e fluída. O desfecho apesar de ser bastante esperado, compensa toda a jornada e lava nossas almas de leitores justiceiros, mesmo que muita coisa fique no ar, realmente sem uma explicação satisfatória. O que não é de fato um ponto negativo se você se propuser a ler o arco prólogo intitulado Círculo de Júpiter, que assim como sua predecessora (ou antecessora, dependerá da ordem que você as ler), também é formada de duas graphic novels de 136 páginas cada uma.

Diferente do que vemos em O Legado de Júpiter, em “Círculo” acompanhamos a velha guarda em ação, a interação entre a equipe, os conflitos entre eles, questões mais palpáveis sobre sexualidade e paternidade e algumas explicações de situações e fatos que em O Legado são apenas mencionadas. Esta continuação, por assim dizer, traz uma maior dimenção para o enredo e uma maior tridimensionalidade aos personagens. Tudo parece fazer mais sentido e as páginas tomam conta de de transformar os pilares abstratos em algo mais concreto para os leitores.

Todavia, apesar de ser mais sólido e dar conta de sair da superfície entregue em O Legado de Júpiter, a sequência em questão não vai nas profundezas do que esta história poderia ser. É um bom complemento e apesar de se tratar de uma narrativa mais lenta, satisfaz. No geral, as graphic novels de Mark Miller formam mais uma trama de super-heróis confusos que se desvirtuam enquanto tentam descobrir o peso de serem quem são.

TRAÇOS E PALETA DE CORES: 

O traço de Frank Quitely (artista bastante conhecido por colaborações com Grant Morrison) é bem agradável e funciona de forma orgânica com o texto de Miller. Até mesmo quando nos deparamos com a mudança de artista quando pegamos Círculo de Júpiter para lermos, percebemos o quanto os traços de Chris Sprouse (artista vencedor de dois prêmios Eisner por Tom Strong) por vezes mais quadrado do que os de Quitely conversa e caminha bem com o trabalho de seu colega; assim como os traços de Wilfredo Torres. Os três traços são bacanas e trazem estéticas parecidas apesar de suas particularidades. A paleta de cores é focada em cores mais roxeadas e as vezes foscas, que também funcionam e são bem escolhidas e aplicadas (reflexo do bom trabalho de Peter Doherty e Ive Svorcina). Bons trabalhos que complementam muito bem o texto de Mark Miller, dando vida aos personagens do famoso quadrinista.

As 4 HQs que compõem todo o enredo da história definitiva de super-heróis de Mark Miller (como ele mesmo gosta de dizer):

 

 

 

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Fernando Lafaiete

O que vocês devem saber sobre mim? Me Chamo Fernando Henrique Lafaiete, mas vocês podem me chamar de China. Apelido este, dado pelos meus melhores amigos. Sou viciado em leitura, sou poliglota, auditor de hotel, professor de inglês, fã de fantasia, fã de livros policiais, fã de YA, fã terror e fã de clássicos. Luto ao máximo contra o preconceito literário que alimenta a conduta dos pseudo-intelectuais e sou fã de animes e qualquer coisa que envolva super-heróis. Amo escrever todo tipo de texto, em especial resenhas. Espero que minhas opiniões sejam de alguma valia para todos que tiverem acesso as mesmas. Sou sempre sincero e me comprometo a dividir minhas opiniões da maneira mais verdadeira possível. Agradeço o convite para fazer parte do grupo de resenhistas do site e que minha presença aqui seja duradoura.

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