Resenha: O Palhaço no Milharal: Adam Cesare

Quinn maybrook só quer se formar. Mas talvez ela morra esta noite mesmo… Quinn e seu pai estavam em busca de um recomeço tranquilo quando se mudaram para um cidadezinha lá no fim do mundo (e que tem um palhaço superesquisito como mascote). Acontece que, desde que a única fábrica da cidade fechou, Kettle Springs parece ter se partido ao meio. A maior parte da cidade acredita que a culpa é dos jovens. Afinal, foi numa festa do pessoal do ensino médio que a filha de Arthur Hill morreu. E foram eles também que atearam fogo na fábrica e passam o tempo inteiro postando vídeos idiotas no YouTube. Esses pirralhos não respeitam ninguém e não fazem ideia do que é pegar no batente. Para os adolescentes, a situação não é bem por aí. E agora Kettle Springs está em meio a uma batalha constante entre o velho e o novo, o tradicional e o progresso, um embate que parece capaz de acabar com a cidade. Até que um palhaço assassino de chapeuzinho e nariz vermelho decide colocar um fim nessa história. Afinal, não dá para ter um debate se todos os oponentes estão mortos.

 

Primeiro livro da série.

Quando Quinn Maybrook se muda com o pai, Glenn, para a pacata cidade de Kettle Springs, ela espera um recomeço: superar a morte da mãe, ver o pai trabalhar como médico local e conseguir terminar o Ensino Médio. No entanto, logo ao chegar, percebe um clima pesado pairando sobre a cidade, além de uma estranha obsessão em torno de um palhaço chamado Frendo.

Lá estava. Pintado na lateral da fábrica, havia um palhaço. Um palhaço das antigas, com chapéu de palha e um nariz vermelho e bulboso. A maquiagem estava desbotada no queixo, e o nariz antes vermelho vivo estava cheio de bolhas que denunciavam onde a tinta havia descascado. O rosto pintado de branco havia ficado cinza há muito tempo. Os olhos, por outro lado, pareciam mais ou menos intocados pelas labaredas. Além disso, algo no modo como haviam sido pintados fazia parecer que o palhaço estava olhando diretamente para a janela, para Quinn.

No início da história, compreendemos o ressentimento dos mais velhos: os adolescentes locais, considerados baderneiros e problemáticos, foram responsabilizados pelo incêndio que destruiu a principal fábrica da cidade, também, pela morte de Victoria Hill.  Além disso, cultivam o péssimo hábito de gravar suas pegadinhas inconvenientes e publicá-las no YouTube, o que desagrada profundamente os moradores.

Logo no primeiro dia, Quinn acaba sendo expulsa da aula com os adolescentes mais odiados da cidade: Cole, irmão de Victoria, além de Matt, Tucker, Janet e Ronnie. Eles também são proibidos de participar do Dia do Fundador e, embora Quinn nem saiba do que se trata, surpreende-se com a atitude raivosa do professor Vern.

A partir daí, graças aos seus novos amigos, Quinn descobre mais sobre a cidade, seus costumes e as tragédias que a marcaram. Rapidamente, porém, ela se vê envolvida em uma enrascada tão grande que nem mesmo toda a sorte do mundo seria capaz de fazê-la escapar.

Como todo típico slasher, a carnificina não demora para chegar e somos rodeados por cenas sangrentas e envolventes, que foram muito bem narradas e estruturadas por Adam Cesare.

Pat, ou quem quer que fosse a vítima, saiu mancando também, só que com a flecha enterrada na carne da coxa até, por fim, colapsar em frente ao bar. A música continuava tocando a toda, mas Cole, mesmo assim, ainda conseguia ouvir os gritos de Pat. Era diferente de tudo o que ele já tinha ouvido na vida – um guincho meio entalado que machucava só de escutar.

Embora traga cenas de terror bem descritas, com momentos de tensão e desespero, o livro se mostra superficial: falta desenvolvimento dos personagens e o enredo avança rápido demais, impedindo que criemos apego à história e à protagonista, Quinn.

Em contrapartida, é fácil torcer pelos adolescentes, já que o Palhaço Assassino não possui um alvo específico: ele quer matar todos que cruzarem seu caminho. Para o desespero do grupo, eles sequer sabem o motivo da matança.

O Palhaço no Milharal é um livro rápido de ler, daqueles que terminamos em algumas horas. Tem terror, suspense, muito sangue e algumas surpresas bem interessantes ao longo da leitura. Ele termina com um gancho para o segundo volume, O Palhaço no Milharal 2: Frendo Vive.

Se você gosta de histórias estilo “O Massacre da Serra Elétrica” e “Halloween”, eu recomendo a leitura.

Leia nossas outras resenhas recheadas de suspense: O Impulso, A Família Perfeita, A Assombração da Casa da Colina.

 

 

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